O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou, nesta terça-feira (28.jul.2026), em Niterói (RJ), um plano de longo prazo para o financiamento da defesa nacional. Durante a 78ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Lula destacou a importância de investir em tecnologia e equipamentos, além de fortalecer a indústria nacional, para proteger as fronteiras, o pré-sal e as reservas de minerais críticos.

“Se a gente não tiver defesa, a gente não toma conta. Qualquer dia, alguém resolve invadir a gente e a gente está despreparado”, afirmou o presidente.

O Brasil já conta com a PND (Política Nacional de Defesa), a END (Estratégia Nacional de Defesa) e o LBDN (Livro Branco de Defesa Nacional), documentos aprovados em novembro de 2025. O decreto que instituiu esses documentos determinou o início de uma nova atualização em 1º de julho de 2026. Contudo, Lula não especificou se sua proposta se relaciona a essa revisão ou se trata de um programa específico de investimentos.

O presidente enfatizou que o planejamento deve considerar as fronteiras, o litoral, o pré-sal, as reservas de minerais críticos e outros ativos estratégicos. Ele questionou: “Quem é que vai tomar conta do nosso petróleo? Quem é que vai tomar conta do pré-sal?”

De acordo com Lula, a vasta dimensão territorial do Brasil exige um planejamento de longo prazo. “Ou nós assumimos a responsabilidade ou vamos ficar sempre para trás”, declarou.

Em suas críticas à dependência de recursos remanescentes no Orçamento, Lula comparou o planejamento da defesa a decisões financeiras pessoais: “Nem o colchão da cama a gente troca, nem um televisor melhor a gente compra, porque nunca sobra”.

Além de defender um novo plano para a defesa, o presidente também ressaltou a necessidade de modernização das Forças Armadas, lembrando que em seus dois primeiros mandatos foram feitos investimentos significativos na renovação de equipamentos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Lula também propôs a elaboração de um plano de investimentos em ciência e tecnologia para a próxima década, afirmando que essa iniciativa exigirá novas fontes de financiamento, pois “dentro do orçamento não cabe” e será necessário “pensar aonde arrumar dinheiro extra”. O presidente se comprometeu a encaminhar o projeto ao Congresso caso considere a proposta viável.

O presidente destacou que o Brasil não possui os mesmos recursos militares que Estados Unidos e China, e defendeu que o país deve buscar espaço internacional por meio de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. “Eu não quero brigar com a China. Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que eles têm, nem os tanques que eles têm”, declarou.