O suporte do Congresso a propostas prioritárias do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu uma queda significativa, passando de 75% para 38,5% no Senado e de 58% para 38,1% na Câmara dos Deputados. Essa comparação é feita entre os primeiros seis meses de 2025 e o mesmo período de 2026, conforme um relatório da empresa Ética Inteligência Política, publicado na sexta-feira (24.jul.2026).
Na Câmara, o alinhamento apresentou variações menores. Partidos como o PSD mostraram um aumento no apoio ao governo, subindo de 40% para 60% nos votos favoráveis no mesmo período. Entretanto, a maioria das legendas manteve índices semelhantes, com o PL, por exemplo, mantendo 40% de votos alinhados ao governo, mas aumentando sua bancada de 87 para 97 deputados federais após a janela partidária.
Queda no Senado
A maior diminuição no apoio ocorreu no Senado, onde o governo Lula não conseguiu aumentar a sustentação entre os partidos em relação ao primeiro semestre de 2025. O presidente manteve 100% de alinhamento no PT, 80% no PSB e 60% no Novo. No entanto, as demais legendas do Senado apresentaram redução em seus apoios, com os maiores recuos registrados no PSD, União Brasil e Podemos, que passaram de 80% para 40% em votos favoráveis.
Outros partidos também experimentaram queda na sustentação, como o Republicanos e o PP, que viram seu apoio cair de 60% para 40%.
- PDT – de 100% para 80%;
- PSB – de 80% para 60%;
- PSD, União Brasil e Podemos – de 80% para 40%;
- PP, Republicanos, MDB, PL e Novo – de 60% para 40%;
Metodologia
O levantamento realizado em 2026 considerou as orientações das bancadas e as votações nominais na Câmara e no Senado no primeiro semestre de 2026 em diversas propostas legislativas. Dentre elas, destacam-se a VET 3 de 2026, a VET 51 de 2025 e a PEC 221 de 2019.
O estudo de 2025 analisou votações de projetos como a VET 47 de 2023 e o PL 2159 de 2021, entre outros.
Dificuldades de Lula
De acordo com a consultoria, o governo enfrenta desafios para formar maiorias estáveis, dependendo mais de acordos pontuais por pauta do que de alianças duradouras. Carolina Venuto, sócia da Ética Inteligência Política, destacou que os índices favoráveis a Lula em 2025 foram resultado da aceitação de derrotas pontuais, como os vetos da Reforma Tributária. A perda de governabilidade, segundo a especialista, começou no segundo semestre do ano anterior.
Venuto observou que tanto a Câmara quanto o Senado passaram a atuar de forma mais coordenada na defesa das prerrogativas do Legislativo, evidenciado pela derrubada de vetos ao projeto de Licenciamento Ambiental. Esse cenário de dificuldades se consolidou em 2026, embora o ambiente eleitoral tenha favorecido negociações em pautas de apelo social.
Coalizão
Venuto não vê um “abandono” do Centrão, mas sim um aumento da autonomia dos partidos em relação ao Executivo, influenciado pelo crescimento do protagonismo do Congresso sobre o Orçamento. O atraso na aprovação da Lei Orçamentária Anual em 2025 fortaleceu o poder de negociação dos congressistas, que continuou em 2026 com a destinação de R$ 61,4 bilhões em emendas, tornando os partidos menos dependentes do Planalto.
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