O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou descontentamento ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após a divulgação de um documento que sugeria a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. A declaração foi feita em resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), que questionava as implicações da recente classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelo governo americano.
Durante uma conversa telefônica, Lula considerou inapropriado que o Itamaraty enviasse tal documento ao Congresso. A afirmação de Vieira gerou reações negativas tanto no Palácio do Planalto quanto nas Forças Armadas, que avaliaram o conteúdo como inadequado. O governo dos EUA já havia negado, em outras ocasiões, a possibilidade de intervenção militar no Brasil.
Rejeição dos EUA e repercussões internas
Na quarta-feira, 8 de julho, o governo norte-americano reiterou sua posição, chamando a avaliação do Itamaraty de "absurda". A porta-voz Amanda Roberson destacou que as designações de grupos terroristas não implicam em ações militares e que o Departamento de Guerra é responsável por qualquer operação desse tipo.
A situação foi ainda mais complicada pelo fato de o documento ter sido uma resposta oficial do governo brasileiro. Isso gerou desconforto também dentro do Itamaraty e nas relações com a Embaixada dos Estados Unidos, que se viu obrigada a trabalhar para minimizar possíveis mal-entendidos.
Comissões do Congresso convocam Vieira
As comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado convocaram Mauro Vieira para explicar a declaração polêmica. Os parlamentares pretendem questioná-lo sobre os fundamentos que levaram à conclusão de que os EUA poderiam realizar uma intervenção militar no Brasil. O Itamaraty, em resposta, indicou que a invasão da Venezuela e operações militares em outras regiões poderiam abrir precedentes para uma ação semelhante no Brasil.
Alguns diplomatas dentro do Itamaraty que apoiam a análise de Vieira consideram a questão um "cálculo de risco", embora a maioria acredite que uma invasão americana seja improvável. Contudo, a preocupação persiste, especialmente após a classificação do PCC e do CV como terroristas, o que poderia facilitar uma operação militar sem a necessidade de autorização do Congresso dos EUA, embora essa hipótese tenha sido refutada pelo governo americano.
Até o fechamento desta reportagem, o Itamaraty e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência não haviam se manifestado publicamente sobre a reprimenda de Lula. O Poder360 aguarda um posicionamento oficial que possa esclarecer a situação.
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