O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no Washington Post no dia 26 de julho de 2026, onde critica as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. No texto, Lula descreve as medidas do ex-presidente Donald Trump como um "erro estratégico", contesta as justificativas apresentadas por Washington e afirma que o Brasil não aceitará interferências externas em seus assuntos internos.
Lula destaca que as tarifas, que variam de 12,5% a 37,5%, são motivadas politicamente, mencionando que o anúncio inicial em 2025 se referia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
CRÍTICAS AO TARIFAÇO
De acordo com Lula, mesmo após manter conversas com Trump e negociações entre as equipes dos dois países, os Estados Unidos decidiram seguir adiante com as tarifas. O presidente brasileiro ressalta que os argumentos técnicos apresentados pelo governo do Brasil foram ignorados.
O presidente argumenta que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, uma vez que diversos setores da indústria norte-americana dependem de insumos brasileiros. Ele alerta que alimentos, calçados, móveis, autopeças e outros produtos se tornarão mais caros para os consumidores americanos.
Lula também aponta que as tarifas podem acelerar a aproximação comercial do Brasil com outros parceiros. Ele menciona que o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos caiu 12,8% no primeiro semestre de 2026, enquanto as trocas comerciais com a União Europeia e a China cresceram 6,1% e 15,9%, respectivamente.
Além disso, Lula critica as justificativas de Trump para o tarifaço, que envolvem questões de liberdade de expressão, o sistema de pagamentos Pix e a política ambiental brasileira. O presidente afirma que o Brasil tem combatido crimes nas redes sociais sem restringir a liberdade de expressão, não discrimina empresas americanas no sistema de pagamentos e tem reduzido significativamente o desmatamento desde 2023.
RELAÇÃO COM OS EUA
Lula também se opõe às tentativas de usar a relação bilateral com os Estados Unidos para fins eleitorais, afirmando que "tentativas de impor condicionantes ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão".
No artigo, ele defende que a América Latina não necessita de "porta-aviões patrulhando suas águas nem de tarifas punitivas", mas sim de parceiros "confiáveis e previsíveis". O presidente enfatiza que investimentos, comércio e o combate ao crime organizado são fundamentais para fortalecer a relação entre os países da região.
Encerrando o artigo, Lula reafirma a importância do diálogo entre Brasil e Estados Unidos, mas ressalta que a soberania brasileira é inegociável. "Estamos prontos para continuar um diálogo aberto e construtivo. Mas o destino do Brasil cabe apenas aos brasileiros decidir, sem interferência estrangeira nem subserviência", conclui.
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