O Equador, país sul-americano com pouco mais de 18 milhões de habitantes, é governado desde 2023 por Daniel Noboa, empresário que chegou à Presidência pelo partido Ação Democrática Nacional (ADN) com um discurso de direita marcado, sobretudo, pela promessa de enfrentar o crime organizado e recuperar a segurança de um país mergulhado em uma grave crise. Quito, a capital equatoriana, é em parte bela. Seu centro histórico preserva prédios coloniais, igrejas centenárias e ruas de pedra que contam parte da formação do país.
Mas é também, em alguma medida, temerosa. A sensação de insegurança aparece nas conversas, nas recomendações sobre onde não ir e na forma como os próprios moradores falam sobre o futuro. Em minhas andanças, tive a oportunidade de conhecer a capital do Equador e perceber de perto como alguns equatorianos enxergam os rumos do país.
Claro, conversas de rua não substituem pesquisas ou estatísticas, mas ajudam a dar rosto aos números e, principalmente, a compreender como decisões tomadas no Palácio de Carondelet chegam à vida cotidiana. Uma equatoriana, cujo nome será preservado, administra um hostel instalado em um antigo casarão familiar no centro histórico de Quito. Ela não demonstra muito otimismo.
“Yo voté para Noboa, pero…”, disse. Depois do “mas”, veio um relato marcado por insegurança e preocupação com o futuro. Para ela, o país não melhorou nos últimos anos e, em determinados aspectos, piorou.
“No es un gobierno que se preocupe por lo social”, afirmou enquanto preparava café.
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