Em meio às festividades juninas que agitam a Paraíba, a quadrilha Lageiro Seco, fundada em 1947 no bairro do Roger, em João Pessoa, se destaca como a mais antiga do Brasil ainda em atividade. Com aproximadamente 124 membros, o grupo é um verdadeiro símbolo da cultura popular e da inclusão nas tradições juninas.
A quadrilha foi criada por Luiz Ferreira da Silva e seu irmão, Graciano Ferreira da Silva, que já coordenava uma Lapinha, manifestação cultural ligada ao Natal. A ideia de Luiz foi expandir essa expressão cultural para incluir outras festividades, como o São João.
Luciano Dantas, atual coordenador do grupo, explica que a formação da quadrilha ocorreu em uma época em que a participação mista de homens e mulheres nas apresentações era incomum. "As mulheres hesitavam em dançar com os homens, acreditando que eles só queriam brincar. A quadrilha quebrou esse paradigma", conta Luciano.
O nome Lageiro Seco, escolhido por Luiz, faz referência a uma pedra encontrada no Sertão paraibano e se tornou um marco da identidade do grupo. A quadrilha ganhou reconhecimento não apenas local, mas também nacional, e seus integrantes se empenham em preservar o legado deixado pelo fundador.
A Federação das Entidades das Quadrilhas Juninas da Paraíba (Fequajune-PB) confirma que a Lageiro Seco é, de fato, a quadrilha mais antiga do Brasil, com mais de 70 anos de atividades ininterruptas. Genilson Félix, presidente da federação, enfatiza a importância de Luiz Ferreira para o movimento junino.
Em 2026, a quadrilha receberá a certificação de “Ponto de Cultura”, uma iniciativa do Ministério da Cultura que visa apoiar entidades sem fins lucrativos. Enquanto isso, o grupo continua a se apresentar e a homenagear seu fundador, que faleceu em 2025, mas deixa um legado que perdura nas novas gerações.
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