O número de jovens em Inglaterra sem amigos próximos aumentou cinco vezes desde 2014, de acordo com um relatório do thinktank Institute for Public Policy Research (IPPR), que chamou a situação de "geração mais solitária".

De um em cada 100 em 2014, hoje um em cada 20 jovens entre 11 e 24 anos afirma não ter amigos próximos. O relatório também registra queda no número de adolescentes com pelo menos três amizades próximas, que passou de 85% em 2012-14 para 72% em 2023-25.

Desconexão e dificuldades de transição

O estudo identifica a redução de espaços comunitários, o alto custo da moradia e o uso de plataformas digitais como fatores que contribuem para a isolamento. A média de idade dos primeiros compradores de imóveis subiu para 34 anos, enquanto quase um em cada cinco jovens gasta metade do rendimento em aluguel.

O relatório destaca que a transição para a vida adulta está sendo adiada, com jovens em situação de "limbo": não são mais crianças, mas não conseguem acessar a vida adulta. O aumento de "Neets" — jovens fora de educação, trabalho ou treinamento — foi citado como indicador do problema.

Impacto da vida digital e da perda de serviços

O IPPR baseou-se em entrevistas com 150 jovens e em dados oficiais, como o banco de dados Understanding Society. A reportagem afirma que a solidão se reflete em hábitos como o doomscrolling, atividade isolada que tornou-se rotina de muitos jovens. A análise rejeita a ideia de que a geração atual seja menos resiliente, atribuindo a crise a mudanças sociais, políticas e tecnológicas.