Na última quinta-feira, 25 de junho de 2026, uma onda de indignação tomou conta de jornalistas e veículos de comunicação turcos após o anúncio de que não seriam credenciados para cobrir a cúpula da OTAN, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho na capital turca, Ancara.
Entre os veículos afetados estão o jornal Cumhuriyet, a emissora Halk TV, a Sozcu TV e o site T24, todos conhecidos por suas posturas críticas em relação ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan e ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), que governa o país. Muitos desses meios de comunicação são associados a visões seculares e de esquerda, alinhadas com o Partido Republicano do Povo, fundado por Mustafa Kemal Atatürk.
Reações e preocupações sobre a liberdade de imprensa
A porta-voz da OTAN, Allison Hart, comentou sobre a situação em uma postagem na rede social X, afirmando que a organização está em contato com as autoridades turcas a respeito dos credenciamentos. "É muito importante para a OTAN que a mídia possa participar pessoalmente de eventos importantes", ressaltou Hart.
No entanto, a postagem gerou perplexidade entre os jornalistas turcos, que questionaram os motivos da exclusão. Grupos de defesa da liberdade de imprensa classificaram a decisão como "alarmante". A Associação dos Jornalistas Turcos expressou preocupação, afirmando que a negativa de credenciamento para uma grande quantidade de veículos de comunicação é preocupante para a liberdade de imprensa.
Além disso, a associação destacou que essa decisão viola os princípios de "democracia, liberdade individual e estado de direito" previstos no tratado fundador da OTAN. Até o momento, o governo turco não se pronunciou sobre a questão do credenciamento.
A Turquia ocupa a 163ª posição entre 180 países no índice de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras. A repressão à imprensa se intensificou especialmente após a tentativa de golpe de 2016 e as manifestações do Parque Gezi, em 2013.
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