O senador Jaques Wagner (PT) anunciou sua saída da liderança do governo Lula no Senado nesta quarta-feira (24), apenas uma semana após ser alvo de uma operação da Polícia Federal no caso Master. A decisão foi comunicada após uma reunião de quase duas horas com o presidente Lula no Palácio da Alvorada.
Wagner chegou a Brasília no início da tarde e aguardou a conversa com o presidente, que, segundo ele, foi marcada por um tom amigável. Após o encontro, o senador expressou em suas redes sociais que a reunião foi produtiva e que, em comum acordo, decidiram que ele se afastaria da liderança, reafirmando sua intenção de provar sua inocência.
A operação da PF, que gerou a investigação contra Wagner, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Em sua decisão, o ministro destacou que haviam indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas, diretamente ou por meio de intermediários e familiares.
Durante a operação, a polícia encontrou no endereço de Wagner em Brasília a quantia de US$ 49 mil em espécie, além de uma coleção de relógios. Em endereços na Bahia ligados ao senador, também foram encontrados valores em dólares, euros e reais. As investigações buscam esclarecer a relação de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e se o senador teria atuado no Congresso em benefício dos interesses de Vorcaro.
Entre as supostas vantagens indevidas estão viagens em aviões particulares e a negociação de um apartamento de luxo em Salvador, que continuou mesmo após a primeira fase da operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Jaques Wagner nega todas as acusações e sua defesa já solicitou ao STF a anulação da decisão que autorizou a busca e apreensão em sua residência.