Os Houthis do Iémen anunciaram o lançamento de mísseis contra o aeroporto de Abha, localizado no sudoeste da Arábia Saudita, nesta segunda-feira, como resposta a ataques aéreos realizados no aeroporto de Sanaa, os quais atribuíram ao reino saudita.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo reconhecido internacionalmente do Iémen, afirmou que suas defesas aéreas neutralizaram os mísseis, sem reportar vítimas.
Os Houthis, que controlam a região noroeste do Iémen e recebem apoio do Irã, acusaram anteriormente a Arábia Saudita de “agressão flagrante”, alegando que os ataques atingiram a pista do aeroporto de Sanaa.
O governo iemenita, por sua vez, reivindicou a responsabilidade pelo ataque, afirmando que tinha o objetivo de impedir a aterrissagem de um avião iraniano.
Esse evento representa uma das mais significativas escaladas no conflito, que estava relativamente adormecido desde a implementação de um trégua informal há quatro anos.
Cenário do Conflito no Iémen
O Iémen tem sido devastado por uma guerra civil desde 2014, quando os Houthis depuseram o governo em Sanaa, a capital. O conflito se intensificou em 2015, quando a coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio com o objetivo de restaurar o governo. De acordo com a ONU, mais de 150 mil pessoas já perderam a vida devido à violência, que gerou uma das piores crises humanitárias do mundo, com mais de 22 milhões de pessoas necessitando de ajuda.
Na tarde de segunda-feira, imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram fumaça subindo sobre os telhados de Sanaa após os ataques ao aeroporto internacional da cidade. A emissora al-Masirah, ligada aos Houthis, relatou que as pistas de decolagem e aterrissagem foram alvo dos bombardeios.
Reações e Consequências
O governo iemenita, baseado na cidade portuária do sul, Aden, declarou que suas forças realizaram os ataques em meio a uma disputa sobre um avião utilizado por uma delegação Houthi que retornava do Irã após o funeral do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei. O ministério da Defesa iemenita afirmou que as milícias Houthi, apoiadas pelo regime iraniano, impediram aeronaves nacionais de pousar em Sanaa, insistindo na permissão para um voo iraniano.
O avião iraniano foi forçado a desviar e aterrissou na cidade de Hudaydah, no mar Vermelho, a cerca de 150 km ao sudoeste, segundo os Houthis. Por mais de uma década, todas as aeronaves que entram no espaço aéreo iemenita precisam de autorização da coalizão liderada pela Arábia Saudita, que alegam estar agindo a pedido do governo iemenita.
Yahya Saree, porta-voz militar dos Houthis, acusou a Arábia Saudita de ser responsável pelos ataques em Sanaa, afirmando que isso pôs fim à fase de desescalada do conflito e que não ficaria sem resposta. O porta-voz da coalizão saudita declarou que as defesas aéreas neutralizaram as ameaças de mísseis lançadas pelos Houthis.
Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, o secretário-geral assistente Khaled Khiari expressou preocupação com os ataques, afirmando que o Iémen e a região não podem suportar mais uma escalada. A representante do Reino Unido na ONU condenou os ataques dos Houthis, enquanto o ministério das Relações Exteriores do Irã criticou o ataque ao aeroporto de Sanaa como uma violação clara do direito internacional.
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