O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciaram nesta semana, em Paris, a formação de uma coalizão destinada a criar uma defesa compartilhada contra mísseis balísticos na Europa. Esse movimento surge em um contexto de crescente preocupação com os ataques da Rússia, que utiliza mísseis balísticos com frequência em sua guerra contra a Ucrânia, iniciada em 2022.

O comunicado da coalizão destaca que a iniciativa visa proteger o continente europeu, especialmente diante dos recentes ataques da Rússia, que, em um dos mais intensos, disparou 23 mísseis balísticos em direção a Kiev no último dia 6, sem que as defesas ucranianas conseguissem interceptá-los.

O desafio dos mísseis balísticos

Os mísseis balísticos, que funcionam de maneira similar a foguetes, são lançados a altitudes elevadas e podem atingir velocidades que variam entre 3.200 km/h e até 13 mil km/h, dependendo do tipo. Eles se tornam mais difíceis de serem interceptados na fase final do voo devido à sua alta energia cinética. Em contrapartida, mísseis de cruzeiro utilizam trajetórias mais baixas e podem ser guiados até seus alvos, tornando-se menos previsíveis.

A Rússia tem intensificado o uso de mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik, que possuem um alcance de até 5.500 km, o que permite que alvos na maior parte da Europa sejam atingidos a partir de seu território ou de Belarus. Esse cenário agrava a necessidade de um sistema de defesa eficaz entre os países europeus.

Dependência e iniciativas de defesa na Europa

Atualmente, a Europa já forneceu diversos sistemas de defesa aérea à Ucrânia, mas a proteção contra mísseis balísticos é um desafio maior. O sistema Patriot, desenvolvido pela Raytheon Technologies, é considerado um dos mais avançados e tem sido utilizado pela Ucrânia desde julho de 2025. No entanto, a escassez desse equipamento tem sido um problema crítico, com a Rússia explorando essa vulnerabilidade em seus ataques.

Na última semana, durante uma cúpula da Otan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para permitir que a Ucrânia produza seus próprios mísseis para o sistema Patriot. Contudo, especialistas alertam que essa implementação pode demorar anos, devido à necessidade de adaptar a infraestrutura industrial ucraniana.

A coalizão, que inclui Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido e Ucrânia, busca desenvolver uma arquitetura integrada de defesa antimísseis para dissuadir futuras ameaças. Apesar da ausência de um cronograma definido, o plano permanece aberto à adesão de outros países.

O presidente russo, Vladimir Putin, ao comentar sobre a situação, prometeu retaliações a ataques ucranianos que têm causado escassez de combustível na Rússia, indicando que a tensão entre os países continua elevada.