Pesquisadores têm explorado a relação entre hantavírus e roedores, levantando questões sobre como esses vírus se movem nas populações animais e por que causam sintomas quase imperceptíveis em roedores, mas podem ser fatais em humanos. O professor Hiroaki Kariwa, da Universidade de Hokkaido, tem se dedicado ao estudo dos hantavírus há mais de 35 anos e fez descobertas significativas sobre a ecologia e evolução desses vírus, incluindo a identificação de uma nova cepa, o vírus Hokkaido.

“Trinta anos atrás, acreditávamos que o hantavírus não se espalhava de humano para humano. No entanto, existe uma exceção: uma cepa chamada vírus Andes”, afirma Kariwa, referindo-se à complexidade do estudo desses vírus.

Histórico e Evolução dos Hantavírus

Os hantavírus foram identificados pela primeira vez durante a Guerra da Coreia, na década de 1950, quando soldados na região do rio Hantaan na Coreia do Sul apresentaram sintomas graves inexplicáveis. Anos depois, em 1976, a infecção foi atribuída a um vírus provavelmente transportado por roedores, que recebeu o nome de hantavírus em homenagem ao local de sua descoberta. Atualmente, acredita-se que os hantavírus possam existir desde que os roedores surgiram.

Kariwa explica que “o vírus e os roedores provavelmente co-evoluíram”, embora ainda não se saiba quais benefícios isso traz para os roedores. Os roedores atuam como reservatórios de longo prazo, transportando hantavírus sem apresentar sintomas visíveis.

Avanços na Pesquisa e Novas Descobertas

Na década de 1980, a introdução da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) revolucionou o estudo dos hantavírus, permitindo uma detecção mais sensível do material genético viral. Antes disso, a identificação do vírus era desafiadora, pois os pesquisadores precisavam buscar anticorpos ou isolar o vírus em animais de laboratório. A partir do uso da PCR, tornou-se evidente que os hantavírus estavam mais amplamente distribuídos globalmente do que se imaginava anteriormente.

Desde então, novas cepas foram identificadas ao redor do mundo, incluindo um surto significativo na América do Norte em 1993, onde 33 pessoas foram infectadas, resultando em 17 mortes, devido a uma nova cepa conhecida como vírus Sin Nombre. Em 2002, o vírus Andes foi identificado após infecções que resultaram em mortes.

Apesar das descobertas, o vírus Hokkaido, identificado em roedores selvagens no Japão, não causou infecções humanas conhecidas até o momento. O hantavírus é transmitido a humanos através da inalação de partículas virais presentes em urina, fezes ou saliva de roedores, especialmente ao limpar espaços fechados ou manusear materiais contaminados.

No cenário global, os agricultores são um grupo particularmente vulnerável às infecções por hantavírus, devido à sua exposição frequente a roedores. “Estudar a evolução do vírus ao longo dos anos tem ajudado a esclarecer muitas questões que antes eram um mistério”, conclui Kariwa.