Um novo aumento de casos de covid-19 na China fez com que a doença se tornasse a principal preocupação entre os patógenos respiratórios no país. Apesar do crescimento, as autoridades de saúde classificam a situação como uma epidemia moderada e pedem à população que mantenha a calma.

Dados do China CDC (Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças) indicam que, na semana de 13 a 19 de julho, a taxa de positividade para covid-19 em hospitais sentinela alcançou 16,3%, um incremento de 4,3 pontos percentuais em comparação à semana anterior. As maiores taxas de infecção foram observadas entre indivíduos de 15 a 59 anos.

A covid-19 supera a gripe

Com esse aumento, a covid-19 passou a ser a doença respiratória mais prevalente no país, superando a gripe. As províncias do sul da China relataram taxas de infecção superiores às do norte. O pesquisador Chang Zhaorui, do China CDC, destacou que o vírus esteve em um nível de atividade relativamente baixo por mais de oito meses, desde outubro de 2025, até que as infecções começaram a subir no final de maio de 2026.

Em coletiva de imprensa, Chang afirmou: “A covid-19 evoluiu para uma doença infecciosa respiratória comum, e não há necessidade de preocupação excessiva com as flutuações epidemiológicas normais”.

Características da nova subvariante

A subvariante NB.1.8.1, que pertence à família Ômicron, é a cepa predominante responsável pelo aumento atual de casos. Identificada pela primeira vez em janeiro de 2025, essa variante foi classificada como sob monitoramento pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em maio do mesmo ano. Ela já havia causado um aumento de infecções na primavera de 2025.

Os sintomas associados à NB.1.8.1 são geralmente leves ou assintomáticos, semelhantes aos da gripe, com manifestações como febre, dor de garganta e tosse. A OMS considera o risco global dessa variante para a saúde pública como baixo, ressaltando que as vacinas existentes continuam eficazes para prevenir casos graves da doença.

Embora os sintomas sejam em sua maioria leves, o vírus ainda representa um risco para grupos vulneráveis. Zhu Xuan, professor associado da Faculdade de Medicina Li Ka Shing da Universidade de Hong Kong, advertiu que indivíduos imunocomprometidos e outros grupos de alto risco continuam expostos à possibilidade de desenvolver doenças graves ou até fatais.

Aumento de casos na região

O crescimento no número de infecções reflete uma tendência observada em outras partes da região. Em Hong Kong, a atividade da covid-19 vem aumentando desde junho, atingindo o pico em um ano neste mês. O Centro de Proteção à Saúde de Hong Kong registrou 45 casos graves em adultos, incluindo sete mortes, além de dois casos graves em crianças, durante quatro semanas que terminaram em meados de julho. A maioria dos casos graves e óbitos envolveu pessoas com 65 anos ou mais que não receberam reforço vacinal nos últimos seis meses.

Em Taiwan, as infecções aumentaram por seis semanas consecutivas, com autoridades de saúde prevendo que a onda atual pode atingir o pico em meados ou no final de agosto, com consultas médicas semanais potencialmente superando 50.000. A demanda crescente por vacinas levou a uma escassez de suprimentos em algumas clínicas em Taipei, resultando no envio de 6.000 doses adicionais pela agência de controle de doenças de Taiwan.