Os estados do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait, Bahrein e Omã, expressaram apoio a um memorando de entendimento (MoU) assinado entre os Estados Unidos e o Irã, visando encerrar uma guerra que nunca quiseram. A guerra, iniciada com ataques israelenses a Al-Quds, provocou retaliações do Irã, forçando os países da região a reavaliar suas relações com Teerã.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, Israel tem buscado isolar o Irã, mas a agressão israelense acabou aproximando alguns estados do Golfo de Teerã. A pesquisadora Farah al-Qawasmi, do Centro de Estudos do Golfo da Universidade do Catar, afirmou que o conflito atual levou os países do Golfo a adotar uma postura mais pragmática em relação ao Irã, priorizando o diálogo para evitar novos conflitos.

Diplomacia em vez de confrontos

Apesar das tensões, os membros do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) acreditam que a diplomacia é a melhor alternativa para lidar com a situação. Rob Geist Pinfold, especialista em estudos de segurança, destacou que o uso de drones e proxies pelo Irã representa uma ameaça mais imediata do que seu programa nuclear. Ele afirmou que os países do Golfo estão mais preocupados em conter a destabilização provocada por Teerã do que em discutir seu arsenal nuclear.

A visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à região visa assegurar aos aliados do Golfo que o acordo com o Irã não fortalecerá a posição de Teerã. Além disso, a Qatar assume um papel de co-mediador nas negociações, representando os interesses do GCC.

Relações em transformação

Os analistas ressaltam que os estados do Golfo possuem abordagens distintas em relação ao Irã. Oman, Catar e Kuwait são mais receptivos ao diálogo, enquanto Arábia Saudita, EAU e Bahrein demonstram ceticismo. No entanto, a recente guerra e o desejo de estabilidade regional têm promovido uma reavaliação das relações entre os países do Golfo e o Irã.