Uma investigação da BBC revelou detalhes alarmantes sobre o sistema de detenção na Ucrânia, que opera sob a ocupação russa desde 2014. A pesquisa trouxe à tona os nomes de funcionários, como Yurii Temerbek, um ex-policia local que se uniu a forças separatistas, acusados de abusar de prisioneiros. Liudmyla Huseinova, uma sobrevivente de 64 anos, descreveu seu tempo em um centro de detenção como um 'pesadelo'.

Relatos de tortura e abusos

Liudmyla foi sequestrada em 2019, sendo acusada de espionagem devido a suas ações em apoio às forças ucranianas. Ela foi levada para Izolyatsia, um centro de detenção infame, onde sofreu abusos físicos e sexuais. Segundo relatos, os prisioneiros eram submetidos a torturas sistemáticas, incluindo espancamentos e choques elétricos, em um ambiente de terror.

Impunidade e responsabilidade

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos considera que a tortura e o tratamento cruel de civis são 'sistemáticos e generalizados'. Apesar das denúncias, a Rússia refuta as acusações, chamando-as de 'mentiras infundadas'. Liudmyla e outros sobreviventes acreditam que expor os nomes dos responsáveis é um passo crucial para a justiça. Ela afirma que, se os homens que a agrediram não forem responsabilizados, pelo menos seus nomes serão conhecidos como criminosos.

Após sua libertação em uma troca de prisioneiros em 2022, Liudmyla se reuniu com seu marido e agora vive em Kiev, onde fundou uma organização para ajudar outras mulheres que passaram pela mesma experiência. Ela também apoia famílias de prisioneiros ainda em cativeiro, utilizando uma rede secreta para enviar pacotes a eles.