As exportações de petróleo da Petrobras para a China apresentaram uma queda de aproximadamente 37% no segundo trimestre de 2026 em comparação com os três primeiros meses do ano. O dado foi divulgado em um relatório da estatal na terça-feira (28.jul.2026).

A proporção de petróleo exportado para a China também sofreu uma redução significativa, passando de 62% no primeiro trimestre para 35% no segundo, uma diminuição de 27 pontos percentuais.

Embora o relatório não especifique o volume exato enviado a cada país, os números indicam que a Petrobras exportou 888 mil barris diários no primeiro trimestre e 996 mil no segundo. Com base nas participações informadas pela empresa, as exportações para a China teriam caído de cerca de 551 mil para 349 mil barris por dia.

Essa redução estimada de 202 mil barris diários supera o total de petróleo enviado pela Petrobras à Europa no segundo trimestre, que foi de 179 mil barris diários. Os números são aproximados, uma vez que a estatal apresenta as participações de mercado sem casas decimais.

A Petrobras atribuiu essa queda principalmente a medidas adotadas pela China para controlar suas importações, em resposta ao aumento dos preços internacionais do petróleo.

Além da Petrobras, outras fornecedoras também foram impactadas. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China indicam que as importações de petróleo bruto pelo país caíram 41,3% em junho de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 29,27 milhões de toneladas, ou 7,12 milhões de barris por dia. Este foi o menor volume mensal desde outubro de 2016.

Segundo analistas consultados pela Reuters, essa queda foi influenciada pela redução da atividade nas refinarias chinesas, pela demanda interna mais fraca e por restrições nas exportações de combustíveis. Fatores como a guerra no Irã e interrupções no tráfego de navios pelo estreito de Ormuz também contribuíram para o aumento dos preços e a diminuição da oferta proveniente do Oriente Médio.

NOVOS MERCADOS

A Petrobras conseguiu compensar a diminuição das vendas para a China com um aumento nas exportações para outros mercados. A participação da Índia nas exportações subiu de 15% para 22% entre o primeiro e o segundo trimestres, enquanto a fatia destinada à Europa avançou de 8% para 18%. Outros países asiáticos, excluindo China e Índia, passaram de 8% para 14%.

Além disso, a estatal conquistou cinco novos clientes internacionais, incluindo:

  • Formosa – Taiwan;
  • OQ Trading – Omã;
  • Orlen – Polônia;
  • Preem – Suécia;
  • Sasol – África do Sul.

Apesar da queda nas vendas para a China, as exportações totais de petróleo da Petrobras aumentaram em 12,2% no trimestre, subindo de 888 mil para 996 mil barris por dia. Em comparação com o segundo trimestre de 2025, quando a estatal exportou 690 mil barris por dia, a alta foi de 44,3%.

Os produtos da Petrobras, originários da Bacia do Atlântico, podem ser enviados a refinarias na Europa e na Ásia sem a necessidade de atravessar o estreito de Ormuz, o que diminui a vulnerabilidade dos embarques da estatal às restrições que afetam os produtores do golfo Pérsico.