A produção total de óleo, líquidos de gás natural (LGN) e gás natural da Petrobras aumentou 15,1% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, alcançando 3,281 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A produção de petróleo e LGN no Brasil cresceu 15,7%, subindo de 2,278 milhões para 2,636 milhões de barris diários.

Além disso, o volume total vendido pela estatal, tanto no mercado interno quanto externo, apresentou um aumento de 12,1%, passando de 2,922 milhões para 3,276 milhões de barris por dia. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas ao exterior, que cresceram 42,6%, atingindo 1,212 milhão de barris diários no semestre.

Fatores Externos e Oportunidades

Esse aumento na produção ocorre em um contexto favorável para as empresas exportadoras de petróleo, influenciado pela guerra no Irã e o fechamento do estreito de Ormuz, que resultaram em uma diminuição da oferta de petróleo do Oriente Médio e um aumento nos preços internacionais.

Embora os preços tenham apresentado oscilações durante períodos de expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã, o valor do barril permanece volátil. O Brent, por exemplo, superou os US$ 100 em 23 de julho de 2026, encerrando o dia 28 de julho a US$ 83,01. Atualmente, há um tráfego de navios petroleiros em Ormuz, embora o fluxo seja parcial.

As restrições no estreito têm favorecido produtores da Bacia do Atlântico, como o Brasil, que pode enviar petróleo para refinarias na Europa e na Ásia sem depender do estreito, tornando-se uma alternativa viável aos barris do Golfo Pérsico.

Novos Mercados e Mudanças na Demanda

No segundo trimestre de 2026, a participação da Índia nas compras de petróleo da Petrobras aumentou de 15% para 22%, enquanto a da Europa subiu de 8% para 18%. Além disso, a participação de outros países asiáticos aumentou de 8% para 14%. A empresa também conquistou novos clientes em Taiwan, Omã, Polônia, Suécia e África do Sul, enquanto a China, que continua sendo o principal destino, viu sua participação cair de 62% para 35%.

Embora a Petrobras não tenha mencionado diretamente a guerra no Irã, a companhia relacionou seu desempenho comercial às instabilidades externas. A diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, destacou que a volatilidade do Brent influenciou a adequação da produção de derivados às demandas do mercado interno, que enfrenta preços mais altos para combustíveis importados.

As vendas de derivados da Petrobras no mercado interno cresceram 2,3% no primeiro semestre de 2026, com uma média de 1,744 milhão de barris por dia. Contudo, em comparação trimestral, o volume permaneceu praticamente estável em relação aos três primeiros meses do ano, com aumento nas vendas de diesel, gasolina, QAV e nafta.