No dia 23 de julho, o R/V Kronprins Haakon partiu do cais de carvão em Longyearbyen, dando início à expedição Polhavet 2050. Durante os próximos 50 dias, cerca de 30 pesquisadores e 20 membros da tripulação navegarão em direção ao Polo Norte para investigar as mudanças drásticas no ecossistema do Oceano Ártico.

Dados de satélite indicam que a região central do Oceano Ártico está se transformando rapidamente, passando de um oceano coberto de gelo para uma área cada vez mais azul e livre de gelo. Paul Dodd, líder da expedição e pesquisador do Instituto Polar Norueguês, afirma: "O objetivo geral é explicar as consequências do derretimento do gelo, tanto em termos de biodiversidade quanto de atividades humanas futuras."

Expansão do Interesse por Recursos Árticos

Com a abertura de novas áreas oceânicas, cresce o interesse pela exploração de recursos que antes eram inacessíveis. Correntes oceânicas mais quentes podem trazer novas espécies do Atlântico para o norte, ao passo que a redução do gelo marinho pode abrir novas rotas de navegação. O programa de pesquisa Polhavet 2050 reúne 18 instituições de pesquisa norueguesas em uma colaboração de 10 anos para gerar conhecimento sobre o Oceano Ártico em transformação.

Dodd destaca a importância do momento atual: "Novos acordos internacionais sobre biodiversidade em áreas além da jurisdição nacional e metas globais para proteger 30% dos oceanos do mundo exigem uma base científica robusta."

Investigação do Ecossistema Completo

A expedição enfrentará o desafio de investigar todo o ecossistema. Os pesquisadores planejam viajar mais a oeste do que em expedições anteriores, coletando dados físicos, químicos e biológicos que contribuirão para um melhor entendimento do Oceano Ártico. Entre os 30 pesquisadores a bordo, cinco são da UiT, incluindo o grupo que estuda a biologia do gelo marinho.

Os cientistas coletarão amostras de água, núcleos de gelo, sedimentos e plâncton, utilizando tanto métodos tradicionais, como redes e arrastos, quanto novas tecnologias, como amostradores autônomos que reúnem dados ao longo do ano, mesmo na ausência dos pesquisadores. Morven Muilwijk, pesquisador do Instituto Polar Norueguês, explica: "Tradicionalmente, estudamos o Oceano Ártico durante o verão, mas as grandes mudanças ocorrem durante todo o ano. Portanto, precisamos de medições que monitorem o oceano em todas as estações."

Uma parte importante da expedição deste ano é recuperar ancoragens de instrumentos que coletaram dados continuamente desde 2024, além de implantar novas ancoragens para garantir a continuidade das medições nos próximos anos. Anette Wold, engenheira chefe do Instituto Polar Norueguês e vice-líder da expedição, ressalta que é necessário observar tendências de longo prazo para entender as mudanças no oceano.

Contribuição para o Ano Polar Internacional em 2032

A expedição deste verão marca o início do programa de pesquisa Polhavet 2050. Dodd afirma que a primeira expedição é ampla e interdisciplinar, e que, ao longo do tempo, serão realizadas expedições mais especializadas que explorarão em maior profundidade as questões levantadas. Ele enfatiza que o Polhavet 2050 também representa a contribuição da Noruega para um esforço internacional mais amplo, fornecendo conhecimento que será crucial para pesquisadores de todo o mundo durante o próximo Ano Polar Internacional em 2032-2033.

"O Oceano Ártico não é um sistema isolado. As emissões globais de gases de efeito estufa, as águas mais quentes do Atlântico e a crescente atividade humana afetam os desenvolvimentos no Ártico. Ao mesmo tempo, as mudanças no Oceano Ártico impactam o restante do mundo por meio da circulação oceânica, entrada de água doce e clima", conclui Dodd.