A ampliação do aeroporto de Heathrow pode resultar na perda de milhares de empregos em regiões do Reino Unido, com destaque para quase 10 mil vagas no West Midlands, segundo uma análise das previsões do governo britânico.

Um documento econômico divulgado pelo Departamento de Transportes (DfT) no mês passado indica que aeroportos em Inglaterra e País de Gales podem perder milhões de passageiros caso Heathrow construa uma terceira pista, o que impactaria negativamente o mercado de trabalho regional.

Especificamente, o aeroporto de Birmingham deverá sofrer uma redução de 7,5 milhões de passageiros anuais até 2050, o que corresponderia a aproximadamente 9.500 empregos perdidos, tanto no aeroporto quanto em sua cadeia de suprimentos, conforme apontam economistas.

Consequências políticas e econômicas

Essas descobertas levantam dúvidas sobre o apoio político à expansão, especialmente após Andy Burnham assumir o cargo de primeiro-ministro. O ex-chanceler, Rachel Reeves, era um defensor ativo da terceira pista, enquanto Burnham criticou o investimento excessivo em infraestrutura no sul da Inglaterra, prometendo reequilibrar os gastos com uma iniciativa chamada No 10 North.

A New Economics Foundation (NEF) afirmou que o relatório evidencia que os empregos criados em Heathrow seriam, na verdade, empregos deslocados de outras partes do país. A análise do DfT sugere que, até 2050, 15.200 empregos na aviação que poderiam ser criados nas regiões e 6.400 vagas em outros aeroportos de Londres e do sudeste seriam transferidos para Heathrow.

Controvérsias sobre benefícios e impactos

Contudo, o governo contestou a análise da NEF, alegando que esta se concentra em um período limitado e insistindo que a expansão de Heathrow trará benefícios para todo o país. Um porta-voz do DfT afirmou que a análise não considera o potencial de mais de 60 mil empregos locais que a expansão poderia gerar, com até 40% do impulso econômico de £2,6 bilhões beneficiando regiões fora de Londres e do sudeste.

Além disso, um estudo separado do DfT questiona se toda a nação realmente se beneficiará da expansão, uma das quatro condições estabelecidas pelo governo para aprovar o projeto. A revisão por pares da análise do PIB do DfT destaca que seria errôneo afirmar que os ganhos da expansão se distribuiriam amplamente pelas regiões.

Alex Chapman, chefe de política econômica da NEF, comentou que, com os novos dados, a proposta da terceira pista de Heathrow parece mais uma estratégia para transferir empregos e investimentos para Londres e o sudeste, em vez de promover crescimento. Ele também destacou que os danos ambientais serão significativos.

O atual projeto prevê a construção de uma pista de 3.500 metros que cruzará a localização da rodovia M25, com um custo estimado de £33 bilhões, permitindo que o aeroporto opere até 756 mil voos por ano, em comparação com os atuais 480 mil. O governo prometeu acelerar a construção da terceira pista para que esteja em operação até 2035, um projeto que já foi aprovado duas vezes, mas nunca concluído.