O Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que foram entregues 6 das 8 armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. A comunicação ocorreu nesta segunda-feira (6 de julho de 2026), após o ministro Alexandre de Moraes ter determinado que o arsenal fosse apresentado em até 48 horas.

O documento foi assinado pelo tenente-coronel Caio de Vargas Lisboa, comandante do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, e responde a uma solicitação de informações do STF. No texto, o comandante esclarece que “as armas mencionadas nos itens 3 e 8 da referida decisão não se encontram custodiadas no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília”. Essas armas incluem uma pistola Glock e uma espingarda.

A pistola Glock foi apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) com um auxiliar de Bolsonaro. Já a espingarda, conforme a defesa do ex-presidente, nunca esteve com ele; a arma foi dada de presente, mas permanece sob a custódia de uma empresa importadora de artigos bélicos localizada em Caxias do Sul (RS).

A defesa sugere que o STF oficie a empresa responsável pela custódia para confirmar a posse da espingarda e providenciar sua apresentação às autoridades, argumentando que a arma permanece sob a guarda de um terceiro e não de Bolsonaro.

Além disso, a defesa de Bolsonaro informou que duas armas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 24 de abril de 2023.

PRISÃO DE BOLSONARO

Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses. Desde 24 de março, ele está em prisão domiciliar humanitária devido a questões de saúde. O ministro Moraes manteve a prisão domiciliar e todas as medidas cautelares em vigor, mas revogou o porte de arma e o certificado de registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Bolsonaro.

A ordem inclui a apreensão imediata da pistola encontrada durante uma blitz em 15 de junho de 2026, em Brasília, e de outras armas vinculadas ao ex-presidente.

Eis as 10 armas:

  • Pistola Glock, calibre 9mm (apreendida em junho de 2026);
  • Pistola Forjas Taurus, série KVJ78119, calibre .380 Automatic;
  • Pistola Forjas Taurus, série SGW80868, calibre .40 S&W
  • Carabina/fuzil Caracal, série 16C167687, calibre 5,56x45mm;
  • Pistola Caracal, série 11C150018, calibre 9x19mm Parabellum;
  • Carabina/fuzil Springfield Armory, série 1198953, calibre 7,62x51mm;
  • Espingarda Typhoon, série JMB0001, calibre 12 GA;
  • Pistola Arex, série 0038, calibre 9x19mm Parabellum;
  • Pistola SIG-Sauer, série M17091397, calibre 9x19mm Parabellum;
  • Espingarda Maestro Arms Company, série 481-H21YD-1017, calibre 12 GA.

ENTENDA

No dia 15 de junho, a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu uma pistola Glock em um ponto de bloqueio em Brasília. O veículo abordado era conduzido por um militar que atua na segurança de Bolsonaro. A arma estava registrada em nome do ex-presidente e era mantida em sua residência.

O ministro Moraes solicitou que a defesa de Bolsonaro explicasse o porquê da arma estar com ele e ter sido movimentada por seu segurança. A defesa alegou que a pistola estava inoperante e que Bolsonaro havia solicitado ao segundo-sargento do Exército para realizar a manutenção.

Ainda no dia 15 de junho, a Procuradoria Geral da República não reconheceu falta grave no caso do porte de arma, mas destacou que a posse de arma e a condição atual do condenado, que responde a inquérito, eram incompatíveis.