O telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), anunciou a descoberta de 31 dos quasares mais antigos já identificados. Dentre eles, dois se destacam como os quasares mais primordiais já observados, emitindo luz equivalente a um trilhão de sóis em um universo com apenas 670 milhões de anos, o que corresponde a 5% de sua idade atual.
Os quasares representam uma fase transitória na vida de galáxias, onde grandes quantidades de material se acumulam em buracos negros supermassivos centrais, liberando imensas quantidades de energia. Durante essa fase, o núcleo da galáxia brilha intensamente, superando em brilho o restante da galáxia hospedeira em centenas a milhares de vezes.
Busca pelos primeiros quasares
A busca pelos primeiros quasares do universo se estende por décadas. Esses objetos são fundamentais para entender os eventos que ocorreram nos primórdios do cosmos, incluindo a formação dos primeiros buracos negros supermassivos e galáxias. Contudo, a detecção de quasares dessa época é desafiadora, pois são raros e sua luz primitiva é tênue, facilmente confundida com a de estrelas mais próximas.
Desde seu lançamento em 2023, o Euclid tem explorado esse intrigante capítulo da história cósmica, alcançando resultados significativos. A nova descoberta inclui 12 quasares com um desvio para o vermelho — uma medida de distância e movimento — superior a 7, correspondente aos primeiros 770 milhões de anos do universo.
Novos recordes e implicações
Os dois quasares mais antigos identificados, EUCL J172902.75+641018.1 e EUCL J125308.55+705432.3, possuem desvios para o vermelho de 7.77 e 7.69, respectivamente, estabelecendo um novo recorde. Ambos estão localizados a mais de 13 bilhões de anos-luz de distância e surgiram durante os primeiros 670 milhões de anos do universo.
Antonio La Marca, pesquisador da ESA e membro da equipe do Euclid, afirma que essa descoberta mais que dobra o número de quasares tão antigos conhecidos. Enquanto a descoberta dos primeiros quasares com um desvio para o vermelho de 7 ou superior levou mais de uma década, o Euclid conseguiu identificar mais do que isso em apenas um ano.
Além disso, o segundo quasar mais antigo encontrado foi analisado em detalhes por Silvia Belladitta e colaboradores, revelando que ele está inserido em uma galáxia repleta de gás e poeira, que está formando novas estrelas em alta taxa, sugerindo características do ambiente de uma galáxia que abriga um buraco negro supermassivo primitivo.
As descobertas do Euclid ajudam a iluminar um período fascinante da história cósmica conhecido como a época da reionização, quando o universo passou de uma fase fria e escura para uma era quente e ionizada. Valeria Pettorino, cientista do projeto Euclid, destaca que os quasares antigos não apenas são raros, mas também atuam como máquinas do tempo, permitindo a exploração do universo primordial e a compreensão da formação das primeiras galáxias.
Os 31 quasares foram descobertos a partir dos dados do Euclid Wide Survey, que cobrirá mais de um terço do céu total ao ser concluído. O telescópio continua a investigar a composição, história e evolução do universo, revelando muitos quasares em sua jornada.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.