No último domingo, o Comando Central dos EUA anunciou a realização de novos ataques aéreos no Irã, marcando a oitava noite consecutiva de bombardeios. A ação tem como objetivo punir rapidamente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) após um ataque que resultou na morte de dois militares americanos e deixou um desaparecido, além de quatro feridos que necessitaram de hospitalização.
As operações aéreas ocorreram em áreas próximas a Sirik, na província de Hormozgã, e na Ilha Qeshm. De acordo com agências de notícias iranianas, como a Mehr e a Tasnim, os ataques foram realizados em horários locais que variaram de 1h30 a 6h da manhã. Os relatórios indicam que não houve vítimas e que a infraestrutura residencial e comercial não foi danificada.
Justificativa para os ataques
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que os ataques visavam “destruir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz”. O comunicado também destacou que as ações eram uma retaliação a ataques de mísseis balísticos e drones iranianos contra uma base americana na Jordânia, que resultaram nas mortes dos dois soldados na sexta-feira.
Desde o início do conflito em fevereiro, 16 militares americanos perderam a vida e mais de 430 ficaram feridos. A Tasnim relatou explosões em cidades iranianas como Qom, Arak e Behbahan, mas essas informações foram negadas por autoridades locais, que afirmaram que a situação estava normal.
Retaliação do Irã e consequências
Em resposta aos ataques dos EUA, o exército iraniano afirmou ter atingido instalações militares americanas em duas bases no Kuwait. Um comunicado militar informava que os alvos incluíam um depósito de munições no campo Al-Adiri e sistemas de radar Patriot na base de Ali Al Salem.
Antes do início dos últimos ataques, o líder supremo do Irã advertiu sobre “lições inesquecíveis” caso os EUA continuassem suas ações. O foco inicial do conflito era o controle do Estreito de Ormuz, mas os bombardeios americanos agora incluem infraestrutura civil, como pontes e plantas de dessalinização de água potável. A agência de notícias estatal IRNA reportou que a planta de dessalinização Bonji foi destruída, afetando o abastecimento de água de cerca de 10 mil pessoas.
Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou em rede estatal que os EUA estão violando os termos do acordo provisório e não o estão mais implementando. Nos últimos três semanas, autoridades iranianas afirmam que pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA.
Em um comunicado, a embaixada iraniana na Índia identificou duas meninas, Sogand Dardmand e Fatemeh Zahra Akbari, entre as sete vítimas de um ataque americano em Bandar Khamir, no sul do Irã, ocorrido na quinta-feira. O correspondente da Al Jazeera em Teerã, Tohid Asadi, relatou que a população local está tomada pela “raiva” e “frustração” diante da continuidade dos ataques, sem saber se haverá uma resolução diplomática para a crise.
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