Os Estados Unidos iniciaram uma série de bombardeios contra o Irã em resposta a ataques a três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, ocorridos entre os dias 6 e 7 de julho de 2026. O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou a ofensiva visando impor um alto custo aos responsáveis por esses ataques, que, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), não resultaram em vítimas.

Reação iraniana e sanções suspensas

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, criticou os ataques americanos, afirmando que eles violam um memorando assinado entre os dois países no mês anterior. Gharibabadi alertou que Teerã tomará "medidas decisivas" em resposta à ofensiva. O Centcom classificou as ações do Irã como "injustificadas" e uma clara violação do cessar-fogo.

Além dos bombardeios, o Departamento do Tesouro dos EUA revogou uma isenção de sanções que permitia a exportação de petróleo iraniano. Essa autorização fazia parte do mesmo memorando que agora está sendo desrespeitado, segundo o governo iraniano. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que essa decisão demonstra a "má-fé" dos EUA e que o país tomará as medidas necessárias para proteger seus interesses.

Condenações e responsabilizações

Catar e Arábia Saudita também se manifestaram em relação aos ataques, responsabilizando o Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, declarou que o país considera o Irã "totalmente responsável" pelos incidentes e pediu que cesse práticas que ameaçam a segurança regional. A Arábia Saudita informou que seu petroleiro Wadyan foi atingido enquanto cruzava o estreito, o que foi classificado como uma ameaça à navegação internacional.

Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, refutou as acusações, afirmando que embarcações comerciais que não respeitam rotas coordenadas correm riscos e complicam a segurança na região. Ele destacou que os ataques a petroleiros são uma provocação.

O memorando de entendimento, assinado no mês passado, visava não apenas o fim das hostilidades entre os países, mas também o compromisso do Irã em não desenvolver armas nucleares, além de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país. No entanto, as tensões aumentaram significativamente após os recentes incidentes.

Teerã já havia imposto restrições práticas à navegação no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás, após ataques anteriores dos EUA e de Israel. O Irã busca reafirmar sua soberania sobre a área, estabelecendo a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para gerenciar a segurança na região.