Na madrugada desta quarta-feira (8), o Irã lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait. A ação é uma resposta imediata aos bombardeios aéreos realizados pelos EUA em território iraniano, que ocorreram após o regime de Teerã ser acusado de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Retaliação e alerta militar

O Bahrein abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, enquanto o Kuwait serve como quartel-general das forças do Exército americano na região. Em decorrência dos ataques, ambos os países emitiram alertas de mísseis para suas populações no início da manhã.

O comando militar central do Irã confirmou os ataques e declarou que “responderá de forma decisiva a essa agressão e ato terrorista” por parte dos Estados Unidos. Até o momento, a mídia estatal iraniana reportou explosões nas áreas de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik, mas não divulgou informações sobre possíveis vítimas ou a extensão dos danos causados no Bahrein e no Kuwait.

Conforme a Guarda Revolucionária do Irã, 85 instalações militares dos EUA foram atingidas durante os ataques. Essa nova escalada militar levanta preocupações sobre a estabilidade do acordo provisório de cessar-fogo na região, que foi estabelecido após a guerra iniciada no final de fevereiro.

Contexto dos bombardeios

Os bombardeios dos EUA têm como objetivo impor “custos elevados” ao Irã, em resposta à agressão que, segundo Washington, representa uma clara violação do cessar-fogo. O comando militar americano afirmou que o Irã demonstrou uma “agressão injustificada” ao atingir embarcações comerciais tripuladas por civis em uma das principais rotas marítimas do mundo.

Uma fonte americana revelou que os ataques se concentraram em sistemas de defesa aérea do Irã, além de lançadores de drones e mísseis. A TV estatal iraniana confirmou que várias explosões ocorreram na cidade portuária de Sirik, localizada próxima ao Estreito de Ormuz, mas não havia informações sobre a causa das explosões até a última atualização.

Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que três navios foram atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz, embora não houvesse feridos. O governo do Catar identificou um dos navios atingidos como o petroleiro “Al Rekayyat” e responsabilizou o Irã pelo ataque, uma posição que também foi corroborada por autoridades dos EUA.

Apesar da escalada de tensões, as negociações entre os dois países continuam. Um funcionário do governo americano afirmou que representantes dos EUA e do Irã estão atuando “de boa-fé” para alcançar um acordo de paz definitivo, com a segurança de navegação e o controle do Estreito de Ormuz sendo um dos principais pontos de atrito nas discussões.

Sanções e repercussões

Em resposta aos ataques no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos voltaram a impor sanções sobre o setor de petróleo iraniano, revogando uma licença que havia suspendido temporariamente as restrições às exportações de petróleo do Irã. Essa isenção, que foi anunciada em junho como parte do acordo de cessar-fogo, permitia que Teerã produzisse e vendesse petróleo até 21 de agosto.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão dos EUA, afirmando que a medida viola o Memorando de Islamabad, que tinha como objetivo encerrar a guerra entre os dois países, e responsabilizou Washington pelas consequências, prometendo adotar “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses e a segurança nacional.