Um relatório recentemente divulgado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva nesta terça-feira (7) revela que atualmente 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não completaram a educação básica. Esta iniciativa faz parte de um esforço conjunto de 16 organizações da sociedade civil para mapear a situação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e promover uma educação mais inclusiva no Brasil.
A publicação, intitulada “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”, indica que, embora o número de pessoas que abandonaram a escola esteja diminuindo nos últimos anos, ainda está longe de ser considerado satisfatório.
Mortes impactam a redução da demanda por EJA
O relatório aponta que a diminuição no número de pessoas fora da escola não é resultado de políticas públicas mais eficazes, mas sim de um aumento na mortalidade entre aqueles que não têm escolaridade. Segundo os dados, 51% da redução na demanda pela EJA desde 2021 se deve ao fato de que, para cada pessoa que conseguiu concluir a educação básica nesse período, mais de seis faleceram sem finalizar os estudos.
Desigualdade regional na escolaridade
O estudo também revela que a distribuição da população sem conclusão do ensino básico é desigual entre as regiões do Brasil. Cidades do Norte e Nordeste apresentam os índices mais altos de abandono escolar, com mais da metade da população nessa faixa etária sem a educação básica completa.
Os efeitos da baixa escolaridade refletem-se no mercado de trabalho e nos índices de desenvolvimento. Apenas 43,1% das pessoas que não concluíram o ensino fundamental estão inseridas no mercado de trabalho, em comparação com 73,5% entre aqueles que finalizaram o ensino médio. Essa disparidade evidencia o impacto da educação na vulnerabilidade socioeconômica da população.
Além disso, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo IBGE, indicam que, caso essa parcela da população tivesse completado seus estudos, poderia gerar R$ 66 bilhões a mais por ano em rendimentos do trabalho. Esse valor representa cerca de 0,6% do PIB do país, refletindo tanto o aumento da renda de trabalhadores já empregados quanto a entrada de novos profissionais qualificados no mercado.
Avanços e programas de incentivo
Apesar dos desafios, dados do Censo Escolar de 2025 mostram que as taxas de evasão escolar no Ensino Médio diminuíram. Nas escolas públicas, a taxa foi de 2,5% no ano anterior, a menor desde 2007, conforme registros do Ministério da Educação (MEC).
A redução no abandono escolar de 34% desde a implementação do programa Pé-de-Meia, em 2024, é um dos fatores dessa melhora. O programa oferece bolsas para estudantes do ensino médio, incentivando a permanência na escola. Em 2024, 92,1% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em alguma instituição de ensino, embora apenas 82,2% estivessem no Ensino Médio, indicando um possível abandono em etapas anteriores.
A taxa de distorção idade-série, que mede o percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar, também apresentou queda, passando de 24,3% em 2022 para 17,6% em 2025. O programa inclui bolsas mensais e uma poupança acessível após a conclusão de cada ano letivo, além de depósitos adicionais para aqueles que prestam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
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