A dívida pública global, que já era elevada antes da pandemia, continua a crescer rapidamente, segundo o último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). A previsão é que, se essa trajetória persistir, a dívida pública alcance 100% do PIB até o final desta década, o que pode comprometer a resiliência financeira global em um cenário de incertezas geopolíticas e econômicas.

O dilema entre aumentar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) ou cortar gastos para reduzir a dívida é o foco de um estudo realizado por Jorge Mario Uribe, coordenador do grupo de pesquisa em Finanças, Macroeconomia e Gestão da Universitat Oberta de Catalunya (UOC). A pesquisa analisou dados de 44 países entre 2000 e 2022 e concluiu que o corte em P&D não necessariamente resulta em maior estabilidade financeira.

Relação ambivalente entre P&D e estabilidade financeira

O artigo, publicado na revista Applied Economics, aponta que o investimento em P&D pode impulsionar o crescimento sustentável e a produtividade a longo prazo, mas pode também comprometer a estabilidade financeira se não for gerido adequadamente. "A estabilidade financeira de um país depende de fatores estruturais e regulatórios, além de fluxos de curto prazo", explica Uribe. Os pesquisadores alertam que, embora o aumento nos gastos em P&D possa ter efeitos positivos, ele deve ser equilibrado com a disciplina fiscal.

A importância do equilíbrio na gestão de gastos

O estudo sugere que simplesmente aumentar os investimentos em ciência não é suficiente. É necessário um quadro fiscal estratégico que gerencie os gastos públicos de maneira inteligente. Uribe ressalta que cortes indiscriminados podem ser prejudiciais, sugerindo que a prioridade deve ser alocar recursos públicos para P&D, mantendo o controle sobre os gastos totais.

Além disso, o investimento privado em ciência pode ser um mecanismo fundamental para estabilizar os efeitos da P&D sem onerar ainda mais as finanças públicas. A pesquisa conclui que a eficácia do investimento em P&D na promoção da estabilidade financeira está atrelada à manutenção da disciplina fiscal, garantindo que a inovação contribua para a saúde econômica a longo prazo.