Nos últimos dez anos, o influenciador digital e cientista da comunicação Christian Gonzatti, de 33 anos, tem denunciado a violência algorítmica, um fenômeno que ocorre quando algoritmos de redes sociais limitam a visibilidade de conteúdos, especialmente aqueles relacionados à comunidade LGBTQIA+. Gonzatti, que é professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), iniciou seu trabalho com o canal Viado Nerd, onde produzia conteúdo cultural dentro desse segmento.
Ele relata que os algoritmos não reconhecem o contexto de palavras como 'viado', utilizando-as de forma pejorativa. “Quando coloco termos como gay ou lésbica, meu alcance é reduzido”, afirma Gonzatti, que já rebatizou seu projeto para Diversidade Nerd, mas ainda enfrenta desafios na disseminação de seus conteúdos.
O Que é Violência Algorítmica?
De acordo com o professor e jornalista Alexandre Gonçalves, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, a violência algorítmica se manifesta quando sistemas automatizados como redes sociais e plataformas de vigilância intensificam modos tradicionais de violência e criam novas formas de opressão. O conceito, que ganhou destaque na última década, abrange não apenas a discriminação em redes sociais, mas também questões mais amplas como reconhecimento facial e algoritmos que prejudicam minorias.
Estudos realizados por pesquisadores da Unisinos, como a jurista Haide Maria Hupffer e o advogado Gabriel Cemin Petry, destacam que os algoritmos não são neutros e tendem a reproduzir preconceitos sociais. A antropóloga Larissa Pelúcio complementa que esses sistemas amplificam desigualdades já existentes, decidindo quem é visto ou silenciado na sociedade.
Desafios no Brasil
No Brasil, a violência algorítmica é exacerbada por desigualdades sociais e pela presença digital maciça. Pelúcio alerta para o impacto desproporcional em populações negras, indígenas e LGBTQIA+. A pesquisa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro revelou que 83% dos casos de reconhecimento facial equivocado envolviam pessoas negras, mostrando como o racismo estrutural pode se traduzir em racismo digital.
Embora o Brasil tenha reconhecido a proteção de dados pessoais como um direito fundamental, especialistas defendem que é necessário um esforço contínuo em educação e regulação para mitigar os efeitos prejudiciais da violência algorítmica e promover uma cidadania digital responsável.
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