Reler hoje os ‘11 Ensaios de Edmund Wilson’ — na tradução primorosa de José Paulo Paes — me proporciona a experiência de olhar, com a maturidade de um leitor veterano, para um ensaio que eu havia visitado na juventude sem dar a devida atenção aos detalhes ou notar as nuances.

Na releitura de ‘Dickens: os dois Scrooges’, descubro sobretudo um modo de fazer crítica: Wilson (1895-1972) ilumina a obra ao observar o que ela fez com o homem que a escreveu e o que esse homem fez com ela.

Paulo Francis, no prefácio do volume, destaca que Wilson redescobriu Charles Dickens (1812-1870) para o meio acadêmico com este ensaio de 1939.

Segundo Francis, nossos professores achavam Dickens vulgar, populacheiro e distintamente de segundo time. O mesmo ocorreu com Henry James: ignorado pela academia americana nos anos 30, foi resgatado por Wilson e seu colega, também crítico, Philip Rahv; hoje, os acadêmicos se dizem donos de James e tratam os comentários de Wilson como mero impressionismo.