A economia do Irã enfrenta um longo caminho para a recuperação, mesmo após a assinatura de um memorando de entendimento entre o país e os Estados Unidos para estender um cessar-fogo. A trégua, que se mostrou frágil, foi testada nos últimos dias com ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e uma nova onda de bombardeios militares americanos.
Conflitos e suas consequências econômicas
Desde a assinatura do acordo, três petroleiros foram atingidos, enquanto as negociações mediadas entre Irã e EUA estão programadas para recomeçar na próxima semana, após o funeral do líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. Recentemente, os EUA realizaram ataques aéreos em províncias do sul do Irã, levando o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e o Exército regular iraniano a retaliar com mísseis e drones contra interesses americanos em Bahrein e Kuwait. Ambos os lados se acusaram mutuamente de violar o entendimento assinado no mês passado.
Analistas afirmam que mesmo com um possível acordo a longo prazo e a suspensão das sanções ocidentais, a economia iraniana levará tempo para se recuperar. A situação foi agravada por anos de má gestão, corrupção, sanções rigorosas da ONU e do Ocidente, além de protestos nacionais e interrupções na internet.
Impacto econômico e desafios futuros
A inflação no Irã atingiu níveis alarmantes, com um aumento de 88,6% em relação ao ano anterior, de acordo com o último relatório do Centro Estatístico do Irã. A inflação alimentar, em particular, disparou quase 134%. O desemprego está em 7,5%, mas a participação da força de trabalho é de apenas 40%, indicando que muitos iranianos em idade de trabalhar estão fora do mercado formal.
A escassez de recursos e a pressão orçamentária limitam a capacidade do governo de oferecer alívio à população, que se resume a pequenos subsídios mensais e cupons eletrônicos para bens essenciais. Um relatório do Banco Central do Irã revelou que, no ano anterior, o PIB teve um crescimento de -0,7%, enquanto a formação bruta de capital fixo caiu em quase 12%.
A destruição causada por cerca de 40 dias de bombardeios e um bloqueio naval dos EUA intensificou as dificuldades econômicas. O Fundo Monetário Internacional prevê uma contração do PIB real do Irã de 6,1% até 2026. Apesar disso, Mahdi Ghodsi, economista do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais de Viena, sugere que alguns empregos perdidos podem ser recuperáveis se houver um fim crível na escalada militar e melhorias nas conexões de transporte e energia.
No entanto, Ghodsi alerta que parte dos danos pode ser duradoura, especialmente onde fábricas perderam maquinário e insumos. A recuperação total pode exigir anos e investimentos significativos.
A situação econômica do Irã continua tensa, e o presidente Masoud Pezeshkian expressou preocupações sobre um possível novo ciclo de protestos, destacando a importância da unidade nacional em tempos de crise.
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