Celebrado em 10 de novembro, o Dia da Pizza destaca um contraste na economia brasileira: o país abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, enquanto o custo das pizzas se eleva, impactando o orçamento das famílias. Essa realidade é evidenciada pelo Índice Mozarela, criado pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), que analisa o poder de compra das famílias em São Paulo.

Impacto da alta nos preços

O Índice Mozarela revela que, em 2021, a renda familiar média em São Paulo permitia a compra de 131 pizzas mensais, número que caiu para 120 em 2025. O indicador, inspirado no Índice Big Mac, avalia quantas pizzas de muçarela, o sabor mais popular e acessível, podem ser adquiridas em diversos distritos da capital, considerando os preços locais.

Embora o estudo se concentre em São Paulo, ele reflete um dos principais mercados consumidores do Brasil. A cidade, que abriga o maior número de pizzarias do país, é vista como um termômetro para a relação entre preços, renda e consumo. O aumento no preço das pizzas é atribuído, entre outros fatores, ao crescimento do custo dos insumos, especialmente a muçarela, que teve uma elevação de quase 40% entre 2021 e 2025.

Desigualdade no consumo

Rodolfo Ribeiro, um dos pesquisadores do Índice Mozarela, observa que os rendimentos do trabalho não acompanharam a alta dos custos, pressionando o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda. Em Alto de Pinheiros, por exemplo, a renda média permite a compra de 313 pizzas por mês, enquanto em Anhanguera esse número cai para 73.

As diferenças de preços também são notáveis. Bairros como Pinheiros, Moema e Jardim Paulista apresentam medianas de R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49, respectivamente, enquanto Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí têm valores mais baixos, entre R$ 39,74 e R$ 41,15. Nas regiões periféricas, a concorrência se dá principalmente pelo preço, o que limita a capacidade dos empresários de investir em ingredientes de qualidade ou em diferenciais de produto e serviço.

Por outro lado, em áreas de maior renda, os empresários têm mais liberdade para diversificar o cardápio e oferecer produtos variados, o que se reflete em um mercado mais dinâmico.

Crescimento do setor de pizzarias

Apesar da diminuição do poder de compra, o setor de pizzarias brasileiro continua a se expandir. Em 2025, o país contava com 40.332 pizzarias ativas, um aumento de 10,29% em relação ao ano anterior, e o menor número de fechamentos da última década, com 2.969 empresas encerrando atividades, uma queda de 43,8% em comparação a 2024.

Os dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) indicam que, entre janeiro e maio de 2026, foram abertas 1.990 novas pizzarias, representando um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa expansão, que resulta em uma nova pizzaria a cada duas horas, demonstra a atratividade do setor, mesmo em um contexto econômico desafiador.

Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, afirma que esse crescimento reflete a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que continuam a investir. A expansão não se limita mais apenas aos grandes centros urbanos, com o Norte e Nordeste apresentando um crescimento proporcional significativo, indicando uma diversificação do mercado.