Philippe Aghion, especialista em destruição criativa e laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2025, alertou sobre os riscos que a Europa corre em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA) durante o Fórum Econômico de Bruxelas. Aghion enfatizou que, se não houver uma mudança significativa, o continente pode repetir os erros do passado, quando não conseguiu acompanhar a revolução da tecnologia da informação.

O crescimento econômico da União Europeia (UE) tem sido inferior ao dos Estados Unidos, que, desde a revolução da informática, adotou inovações de forma mais ágil. Atualmente, o PIB per capita dos EUA é quase o dobro do da UE. Aghion destacou a necessidade urgente de que a Europa “desperte” para o potencial da IA, já que países como os EUA e, em menor grau, a China estão na vanguarda do desenvolvimento dessa tecnologia.

O Potencial da Europa em Saúde e Regulação

A Europa possui centros de pesquisa de alta qualidade, mas enfrenta desafios para escalar startups e atrair investimentos. Aghion sugere que, embora possa ser difícil competir em modelos de linguagem de IA, o continente deve concentrar esforços em suas forças tradicionais, como o setor de saúde, onde possui dados de qualidade superior aos dos EUA.

“Podemos desenvolver muitas aplicações de IA especializadas”, disse Aghion, ressaltando que a abordagem regulatória da Europa pode se tornar um diferencial, especialmente em questões de proteção de dados e privacidade. Ele acredita que haverá uma demanda crescente por uma IA ética, que minimize riscos e proteja os cidadãos.

Desafios de Financiamento e Inovação

Os líderes empresariais, como Thomas Saueressig, da SAP, concordam que a IA deve ser aplicada em setores além dos modelos de linguagem. Saueressig defende que as indústrias tradicionais da Europa precisam ser impulsionadas por tecnologias de IA para se manterem competitivas. No entanto, Aghion alerta que, para isso, é necessário um ambiente de pesquisa mais robusto e um aumento no financiamento a longo prazo, além de mais capital de risco.

A dificuldade das startups europeias em garantir financiamento é um obstáculo significativo. As instituições financeiras tendem a ser cautelosas, enquanto investidores de risco estão mais dispostos a apoiar novas empresas, mesmo cientes das altas taxas de falência. Para atrair mais capital de risco, as regras de falência devem ser harmonizadas entre os estados membros da UE.

Outra proposta inclui a mobilização das economias privadas da Europa, que somam cerca de €12 trilhões em poupanças. O Primeiro-Ministro de Luxemburgo, Luc Frieden, destacou a necessidade de direcionar esses recursos para investimentos em startups, uma mudança que a Comissão Europeia está tentando promover com a criação da União de Poupança e Investimento.

Aghion também sugere a criação de uma agência similar à DARPA dos EUA, focada em pesquisa e desenvolvimento de IA, e acredita que França e Alemanha poderiam liderar essa iniciativa. Ele conclui que a educação e o recondicionamento profissional são essenciais para mitigar os impactos sociais da IA, prevenindo a insatisfação e o populismo.