A Grécia está implementando uma nova tecnologia de satélites com imagens térmicas para prever incêndios florestais, com o objetivo de melhorar a resposta do corpo de bombeiros durante o verão, época em que o país enfrenta grandes desafios devido a incêndios recorrentes.

Localizado em um subúrbio ao norte de Atenas, o Centro Espacial Helênico (HSC) opera quatro satélites que orbitam a 550 km da superfície terrestre. Esses satélites são os primeiros da Grécia a utilizar tecnologia de imagem térmica, que promete revolucionar a forma como os incêndios são monitorados e combatidos em um contexto de mudanças climáticas que intensificam a secura e os incêndios florestais.

Monitoramento em tempo real e resposta rápida

Os novos satélites têm a capacidade de monitorar a temperatura e a umidade do solo, permitindo prever onde um incêndio pode ocorrer nas próximas horas. Segundo Emmanuel Rammos, presidente do HSC, essa precisão é inédita para o Serviço de Incêndio Helênico. Além disso, uma vez que um incêndio é detectado, o HSC pode modelar sua propagação por meio do mapeamento da vegetação e da elevação do terreno, facilitando a direção das equipes de combate e veículos de emergência.

Esses satélites também conseguem enxergar através da fumaça, identificando os pontos quentes onde o fogo está ativo. Isso é crucial para orientar aviões e helicópteros nas operações de combate ao fogo. Tryfon Farmakakis, cientista de sistemas espaciais no HSC, destacou a importância dessa tecnologia, especialmente durante a noite, quando a visibilidade é reduzida.

Ampliação da frota de satélites e drones

Além dos quatro satélites já em operação, a Grécia planeja lançar mais sete unidades, construídas pela Open Cosmos, que terão capacidade multi-espectral, permitindo a observação da saúde ambiental. Esses novos satélites ajudarão a monitorar o teor de clorofila, a vitalidade da vegetação e a presença de patógenos.

Com cerca de 10.000 incêndios florestais registrados anualmente, a necessidade de um sistema de monitoramento eficaz se tornou evidente. Em 2021, incêndios em Varibobi e na ilha de Evia resultaram em grandes perdas, destacando a importância da detecção precoce. Desde 2024, o uso de drones pela força de incêndio aumentou significativamente, com 105 unidades operando atualmente, proporcionando imagens em tempo real e informações térmicas.

Os drones têm sido essenciais não apenas para a resposta a incêndios, mas também na investigação de crimes relacionados a incêndios, resultando em um aumento nas prisões e multas nos últimos anos.

Iasonas Aliferis, secretário-geral da Associação de Oficiais de Serviço de Incêndio Graduados, afirmou que a integração de satélites e drones está transformando a abordagem da Grécia em relação ao combate a incêndios, movendo-se de um modelo reativo para um de prevenção e monitoramento.