O Bear-dar, um sistema de radar movido por inteligência artificial, foi criado para auxiliar comunidades no Ártico a identificar a presença de ursos polares em áreas próximas. A tecnologia, desenvolvida pela organização sem fins lucrativos Polar Bears International em parceria com a empresa de segurança Spotter Global, visa reduzir os encontros entre esses animais e os seres humanos.

“Queríamos adicionar mais uma ferramenta ao arsenal de segurança contra ursos polares”, afirmou Alysa McCall, diretora de ciência da Polar Bears International, em entrevista ao Mongabay. “Com um sistema de detecção de alerta antecipado, há menos chance de um urso ser morto por surpreender alguém.”

Desafios da sobrevivência dos ursos polares

A principal ameaça à sobrevivência dos ursos polares (Ursus maritimus) é a mudança climática. O derretimento do gelo marinho no Ártico está resultando na rápida perda de habitat desses animais, forçando-os a se deslocar para terras em busca de alimento, o que aumenta o risco de contato com humanos.

Com o Bear-dar, cientistas e conservacionistas esperam minimizar esses encontros e os conflitos que podem surgir. O sistema de alerta precoce utiliza radares e câmeras que monitoram a paisagem, detectando movimentos em seu campo de visão. Os painéis de radar, com aproximadamente o tamanho de um iPad, conseguem observar distâncias que variam de algumas centenas de metros até 1,2 quilômetros.

Como funciona o Bear-dar

O algoritmo de inteligência artificial presente nos radares foi treinado para identificar ursos polares a partir de animais mantidos em zoológicos, especificamente no Assiniboine Conservancy Park, localizado na cidade canadense de Winnipeg. Essa formação permite que o sistema reconheça os ursos em ambientes naturais, mesmo em condições de baixa visibilidade.

Além de melhorar a segurança das comunidades locais, o Bear-dar representa um avanço significativo na aplicação de tecnologias de monitoramento para a conservação da vida selvagem. A expectativa é que essa inovação não apenas ajude a proteger os humanos, mas também contribua para a preservação dos ursos polares, que enfrentam um futuro incerto devido às mudanças climáticas.