A demanda global por petróleo está projetada para sofrer uma queda de 1 milhão de barris por dia em 2026, marcando a primeira redução anual desde o auge da pandemia de Covid-19 em 2020, conforme relatório divulgado na sexta-feira pela Agência Internacional de Energia (IEA).

Impactos do conflito no Irã

A IEA observa que a contração deste ano é "altamente desigual em termos de produtos e regiões", uma vez que o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo e gás, comprometeu as exportações na região do Golfo Pérsico. O relatório destaca que a recuperação está em andamento, mas alerta que uma nova escalada do conflito pode complicar ainda mais o cenário.

A previsão da IEA considera a hipótese de um cessar-fogo e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, uma perspectiva que se torna cada vez mais incerta diante das hostilidades trocadas entre os EUA e o Irã nesta semana. Vários navios foram atacados e o tráfego pelo estreito diminuiu consideravelmente.

Expectativas de recuperação e riscos associados

A IEA afirma que, embora o equilíbrio do mercado global de petróleo pareça se deslocar para um superávit até o final do ano, essa previsão depende da recuperação gradual dos fluxos de petroleiros pelo Estreito, permitindo que os produtores reiniciem suas atividades e que as refinarias na região e em outros locais retomem os envios de produtos. "As trocas renovadas de fogo no Golfo nesta semana destacam os riscos de não se chegar a um acordo de paz duradouro, que é essencial para a normalização dos mercados de petróleo", afirma a IEA.

Na sexta-feira, os preços do petróleo apresentaram leve queda, com o futuro do petróleo Brent, referência global, para entrega em setembro, sendo negociado a US$ 76,25 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos EUA manteve-se estável a US$ 72,09.

Toril Bosoni, chefe de petróleo e mercados da IEA, comentou em entrevista ao CNBC que não se espera uma recuperação "rápida ou linear", e descreveu a situação na região como "muito incerta e instável". No entanto, ela acredita que, com um crescimento significativo de outros produtores e com níveis de demanda mais baixos do que o esperado antes da guerra, o mercado pode voltar ao superávit até o final deste ano e na próxima.

Essa situação poderia trazer um alívio bem-vindo ao mercado e permitir que os países reponham seus estoques. O governo dos EUA anunciou que irá participar de "discussões técnicas" com o Irã e se mantém comprometido em buscar uma solução para o conflito, mesmo após uma troca de ataques aéreos entre as duas nações, segundo informações da MS Now.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia deixado clara sua posição, caracterizando os ataques do Irã a embarcações comerciais como "atos de terrorismo", conforme relatado pela mesma fonte. Essas declarações surgem após Trump afirmar, na cúpula da OTAN em Ancara, Turquia, que o cessar-fogo com o Irã estava "encerrado".