Com a pressão para reduzir gastos, estados americanos estão se mobilizando para cortar cerca de US$ 1 trilhão do Medicaid ao longo da próxima década, conforme estipulado no One Big Beautiful Bill Act dos republicanos. As primeiras vítimas dessas medidas são os programas que não são obrigatórios sob a legislação federal.
Cortes afetam cuidadores familiares
De acordo com a jornalista O. Rose Broderick, pelo menos seis estados estão reduzindo ou tentando reduzir os pagamentos a cuidadores familiares, que frequentemente são pais de pessoas com deficiência intelectual e de desenvolvimento. A situação tem gerado um impacto devastador na vida dessas famílias.
Duas mães que cuidam de seus filhos com deficiência agora enfrentam a possibilidade de perder suas casas, uma vez que suas responsabilidades são tão intensas que não conseguem manter empregos fora do cuidado. “É esperar até o último dia que eles nos expulsem de casa ou colocar meu filho em uma instituição”, desabafou uma delas, visivelmente emocionada.
Conferência sobre câncer pancreático gera expectativa
No cenário da saúde, organizadores de uma conferência sobre câncer pancreático em Londres não esperavam que o evento se tornasse um espaço de discussão sobre um novo medicamento promissor. Contudo, o daraxonrasib, da Revolution Medicine, dominou as conversas, conforme relatado pelo jornalista Andrew Joseph.
Um oncologista comentou que “é um desses momentos” ao se referir aos resultados clínicos impressionantes do medicamento, que foram apresentados em uma conferência em Chicago em maio. Pacientes que utilizaram o medicamento viveram quase o dobro do tempo em comparação àqueles que receberam quimioterapia padrão, em um estudo que incluiu 500 participantes.
Embora o medicamento ainda não tenha passado pela revisão regulatória, a demanda por acesso já é alta. Durante a conferência, profissionais da saúde expressaram preocupações sobre as tensões que provavelmente surgirão com o acesso desigual e os altos custos, além de possíveis efeitos colaterais que precisarão ser explicados aos pacientes.
Desafios no uso de antidepressivos
Em outra frente, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA realizou uma reunião com profissionais de saúde mental para discutir orientações clínicas sobre a descontinuação de antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). A reunião segue críticas do Secretário HHS, Robert F. Kennedy Jr., à medicalização excessiva no uso desses medicamentos.
Um clínico que participou da reunião destacou a falta de formação dos médicos sobre o tema, afirmando que muitos desejam ter mais informações, pois não foram ensinados a lidar com isso na escola de medicina. “É aqui que essa orientação preencherá essa lacuna”, completou.
Nomeação controversa para o HHS
Por fim, a resposta do país a crises de saúde pública pode ser liderada por Sean Kaufman, cofundador de uma empresa de consultoria que já questionou publicamente a segurança de vacinas. Kaufman, indicado para o cargo de Secretário Adjunto de Preparação e Resposta, enfrenta ceticismo em relação a vacinas, o que levanta preocupações entre oficiais da Casa Branca que tentam evitar debates sobre reforma vacinal.
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