O grande cormorante, espécie que quase foi extinta, agora enfrenta um crescimento populacional excessivo na Europa, provocando debates sobre controle populacional. Nove países da União Europeia solicitaram a revisão das regras de culling que protegem a ave desde 1979, alegando que a presença dos cormorantes prejudica a pesca local.
Em uma carta enviada a Bruxelas em maio, Croácia, República Tcheca, Estônia, Finlândia, Letônia, Polônia, Romênia, Eslováquia e Suécia pediram que a população de cormorantes seja mantida em um nível que seja “ecologicamente e economicamente aceitável”.
Impacto na pesca e posicionamentos divergentes
Peter Bozik, representante do Clube de Pesca da Eslováquia, descreveu a situação como “muito ruim e em contínua deterioração”, referindo-se ao cormorante como “um terrorista”. Ele destacou que, quando as aves se reúnem em áreas de invernada, podem dizimar rapidamente as populações de peixes nas águas não congeladas.
Pavel Vrana, um ictiologista da União de Pesca da República Tcheca, acrescentou que, além de se alimentarem dos peixes, os cormorantes frequentemente os ferem ou os estressam, comprometendo sua reprodução. “Quando você tem 3.000 cormorantes descendo em um local, é um massacre com motosserra”, afirmou.
Grigore Stefan, da Associação de Pescadores de Murighiol, no Delta do Danúbio, relatou que a Romênia perde “milhões de peixes” anualmente para os cormorantes e questionou a sobrevivência dos peixes no delta neste verão.
Histórico e crescimento populacional
No passado, os europeus eliminaram sistematicamente colônias de cormorantes, utilizando até bombeiros e militares, o que levou a espécie a quase extinção. Nos anos 60, havia apenas alguns milhares de pares reprodutores em países como Países Baixos, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Polônia. Desde que recebeu status de proteção, a população de cormorantes na Europa cresceu para cerca de 2 milhões em 2026.
Zdenek Vermouzek, presidente da Sociedade Tcheca de Ornitologia, observou que os cormorantes se beneficiaram da sobrepesca no Mar Báltico, que eliminou grandes peixes predadores. “Os cormorantes simplesmente substituíram esses predadores”, declarou.
Ambos os lados, pescadores e conservacionistas, concordam que as grandes manadas de aves migratórias causam os maiores danos, mas as soluções propostas divergem. Vrana sugere uma “solução pan-europeia” que envolve o tratamento de ovos nos ninhos, enquanto conservacionistas defendem medidas de detenção, como o abate de cormorantes em áreas onde os peixes invernam.
Vermouzek expressou ceticismo quanto a intervenções em larga escala, citando a inteligência das aves e a necessidade de reduzir operações de limpeza de rios para fornecer melhores esconderijos para os peixes.
A discussão sobre a gestão do cormorante reflete a complexa relação entre conservação ambiental e interesses pesqueiros, revelando a responsabilidade humana na situação atual.
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