Dois anos e meio após a inauguração do templo dedicado ao deus hindu Ram pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi, a estrutura localizada em Ayodhya, Uttar Pradesh, está no centro de uma controvérsia envolvendo alegações de desvio de doações que somariam milhões de rúpias.

O templo, inaugurado em janeiro de 2024, substituiu uma mesquita do século XVI que foi destruída por manifestantes hindus em 1992, um ato que desencadeou distúrbios que resultaram na morte de quase 2.000 pessoas. Desde sua abertura, o templo tem atraído cerca de 50 milhões de visitantes anualmente, consolidando-se como um dos principais centros de peregrinação da Índia.

Investigações e alegações de embezzlement

Recentemente, surgiram dúvidas sobre a gestão de dinheiro e itens valiosos doados por devotos, levando a um clamor político e a petições no Supremo Tribunal solicitando uma investigação monitorada pela polícia federal. O governo estadual formou uma equipe de investigação especial para apurar as alegações.

O Shri Ram Janmabhoomi Teerth Kshetra Trust, responsável pela administração do templo, negou qualquer irregularidade. No entanto, a polícia já identificou oito pessoas envolvidas no caso, que estão sob custódia e sendo interrogadas.

Reações políticas e sociais

A controvérsia ganhou destaque após Mahipal Singh, um ex-supervisor da equipe de contas do trust, afirmar que foi demitido após levantar preocupações sobre a gestão das doações. Ele relatou ter recebido ameaças de morte e se recusou a comentar mais sobre o assunto.

Políticos de diferentes espectros, incluindo o ex-primeiro-ministro do estado, Akhilesh Yadav, exigiram uma investigação mais profunda, com pedidos para que os membros do trust fossem suspensos durante a apuração.

Moradores de Ayodhya expressaram choque com as alegações, enfatizando que as doações deveriam ser usadas para a manutenção do templo e o bem-estar dos peregrinos.

Próximos passos

A equipe de investigação especial solicitou mais tempo para concluir sua apuração, enquanto a pressão aumenta para que a investigação seja transferida à polícia federal. Petições foram apresentadas pedindo supervisão judicial em relação ao caso.