A Comcast, gigante das telecomunicações, anunciou na última segunda-feira (25) a separação da NBCUniversal e Sky de sua divisão de cabo e wireless, uma decisão que pode abrir caminho para novas fusões e melhorar as avaliações de mercado. Antes do anúncio, as ações da empresa estavam em níveis baixos, atingindo mínimas em 12 anos.

Don Bilson, chefe de pesquisa de eventos da Gordon Haskett Research Advisors, sugeriu que a nova estrutura da Comcast poderia facilitar uma fusão com a Charter Communications, enquanto a NBCUniversal poderia se tornar mais similar à Disney, que atualmente é avaliada em até 10 vezes o EBITDA. "Como uma entidade separada, o negócio de cabo estará preparado para se fundir com a CHTR, e a NBCU se parecerá mais com a Disney", afirmou Bilson em nota a seus clientes.

No entanto, nem todos os analistas compartilham dessa visão. Craig Moffett, analista sênior da MoffettNathanson, destacou que não vê lógica em uma fusão no setor de cabo resultante dessa separação. "Não acreditamos em um acordo Netflix-NBCU, e também não vemos um acordo entre Comcast e Charter", escreveu Moffett, ressaltando que os benefícios de uma fusão seriam limitados.

A Comcast enfrenta dificuldades há anos, mesmo após planos de desmembramento de várias de suas propriedades de mídia, como CNBC e USA Network. Desde a conclusão da separação da Versant, em janeiro, as ações da empresa caíram mais de 9%, e desde o anúncio dessa separação, a desvalorização já supera 35%.

Analistas do Wall Street agora projetam uma melhora nas avaliações após a separação da NBCUniversal. A Evercore ISI estabeleceu uma meta de preço de $36 para as ações da Comcast, com base em estimativas de 2027. Já a Benchmark Equity Research aponta um múltiplo EBITDA de 6,5 para 2026 e 6,2 para 2027. Matthew Harrigan, da Benchmark, acredita que a nova transação não resultará em desvantagens significativas.