Na quinta-feira, 2 de julho de 2026, a coalizão governamental da Alemanha, liderada pelo chanceler Friedrich Merz, anunciou um pacote abrangente de reformas destinado a modernizar a economia e aumentar a competitividade do país. O acordo foi comunicado em uma coletiva de imprensa em Berlim, onde Merz esteve acompanhado de líderes do Partido Social-Democrata (SPD) e da União Social-Cristã (CSU).

O pacote inclui um alívio fiscal de €10 bilhões (aproximadamente US$11,4 bilhões), o fim da possibilidade de obtenção de atestados médicos por telefone e a implementação de propostas de uma comissão de pensões até o final de 2026.

Principais medidas do pacote de reformas

As reformas abrangem diversas áreas, conforme detalhado a seguir:

  • Pensões: Introdução de um novo elemento baseado em investimento no sistema de pensões, além do aumento gradual da idade de aposentadoria ao longo das próximas décadas.
  • Impostos: Alívio fiscal para os lares, financiado em parte pelo aumento da alíquota máxima de imposto de renda de 45% para 47% para os mais altos rendimentos.
  • Trabalho: A exigência de atestados médicos a partir do primeiro dia de doença, além de maior flexibilidade para as empresas em relação a contratos temporários e demissões.
  • Indústria: Apoio a setores estratégicos como automóveis, químicos, medicamentos e tecnologia limpa.
  • Bem-estar: Aumento da fiscalização contra fraudes em benefícios sociais.
  • Energia: Aceleração da expansão da rede elétrica e definição de prazos mais claros para conexões à rede.
  • Habitação: Criação de uma empresa federal de habitação e apoio a moradias acessíveis.
  • Burocracia: Redução de formulários e obrigações de relatórios para empresas.

Reações às reformas

O chanceler Merz destacou que as reformas visam proporcionar alívio a trabalhadores e empresas, enfatizando que o objetivo é revitalizar a economia alemã. Ele reconheceu a pressão política para implementar essas mudanças, especialmente com sua partido enfrentando desafios nas pesquisas eleitorais.

Os líderes do SPD, Bärbel Bas e Lars Klingbeil, expressaram otimismo quanto ao apoio público às reformas, enquanto Markus Söder, da CSU, descreveu o pacote como equilibrado, embora reconhecendo que cada parceiro da coalizão gostaria de mais em certas áreas.

O pacote também recebeu apoio de figuras do setor financeiro. Christian Sewing, CEO do Deutsche Bank, e Jörg Asmussen, diretor-geral da Associação de Seguros da Alemanha, consideraram as reformas fundamentais para restaurar a competitividade do país.

No entanto, a proposta gerou críticas significativas, especialmente do sindicato Verdi, que vê a exigência de atestados médicos como uma forma de desconfiança em relação aos trabalhadores. A IG Metall e a Partido Verde também expressaram preocupações sobre a ampliação de contratos temporários e a eliminação dos atestados por telefone.