O governo da China anunciou na sexta-feira (10.jul.2026) a suspensão temporária de todas as exportações de hélio, um gás nobre essencial para a produção de semicondutores. A decisão, que entra em vigor imediatamente, tem como objetivo proteger o estoque interno do país. O bloqueio comercial foi formalizado por meio de uma nota conjunta emitida pelo Ministério do Comércio e pela Administração Geral das Alfândegas, com base na Lei de Comércio Exterior chinesa.

Pequim não especificou a duração da proibição nem forneceu justificativas detalhadas sobre os critérios técnicos que levaram à decisão. A medida ocorre em um contexto de crescente escassez do insumo no mercado internacional, agravada pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que impactaram o fluxo de suprimentos destinados à China.

Estratégia de controle e dependência do hélio

A restrição ao comércio de hélio se alinha a uma estratégia mais ampla do governo chinês para evitar o desabastecimento de matérias-primas críticas. Nos últimos meses, Pequim já havia implementado medidas semelhantes para controlar as exportações de combustíveis, fertilizantes e ácido sulfúrico.

O hélio é fundamental para o resfriamento de wafers, que são fatias ultrafinas de silício utilizadas na fabricação de circuitos integrados. A interrupção no fornecimento pode representar um risco significativo para a indústria de inteligência artificial da China, que tem se tornado cada vez mais dependente de chips fabricados internamente, especialmente diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos ao acesso a componentes avançados da Nvidia.

Impacto no mercado global e na logística do hélio

A restrição imposta pela China pode exacerbar a escassez do hélio no mercado internacional. Analistas apontam que o país importa cerca de 85% do hélio que consome, sendo tradicionalmente dependente de fornecedores como o Qatar, que representa mais da metade das compras chinesas nos últimos anos. O hélio é extraído de campos específicos de gás natural e não há um método industrial rápido para sua síntese.

Apesar dessa alta dependência, distribuidoras chinesas estavam atuando como intermediárias globais, importando hélio da Rússia e reexportando parte para mercados ocidentais, incluindo a Europa. Com a nova proibição, esse fluxo logístico será interrompido.

Em abril, a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Co.), a maior fabricante terceirizada de chips do mundo, já havia alertado que a instabilidade na região do Qatar havia reduzido quase um terço da oferta global de hélio, o que levou as principais fabricantes de tecnologia a considerarem a criação de estoques estratégicos.