Quando Cármen Lúcia, a única mulher entre os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), disse recentemente que se sentia ‘envergonhada’ com o momento vivido pela Corte, ela abordou um aspecto crucial da representatividade feminina no poder jurídico. Em 135 anos de história, apenas três mulheres chegaram até lá.
Crise no STF e autocrítica
A manifestação de Cármen durante a discussão dos processos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça foi curta, mas pesada. Ela falou em ‘profunda tristeza e consternação’, reconheceu um ‘mal-estar cívico’ provocado pelo próprio Supremo e pediu desculpas ao povo brasileiro. ‘O Judiciário existe para tranquilizar o povo e nós geramos intranquilidade’, afirmou. Havia ali uma ministra disposta a fazer publicamente uma autocrítica da instituição que ajudou a comandar.
Representatividade feminina
Ainda assim, olhar para Cármen apenas como uma história individual de sucesso seria confortável demais. Enquanto ela ocupa hoje a única cadeira feminina do Supremo, as mulheres representam metade da advocacia brasileira. Elas estão nos escritórios, nas salas de audiência, nas universidades, nas procuradorias, nas defensorias e nos fóruns. Quanto mais se aproxima das instâncias máximas de decisão, porém, mais masculina se torna a fotografia.
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