Nove dos candidatos ao Senado por São Paulo que estão entre os mais bem colocados na pesquisa Datafolha de 21 de agosto não incluíram a regulação de redes sociais como parte de suas propostas para combater a violência contra a mulher.

Por que a regulação é essencial

Segundo Bruna Camilo, pesquisadora em gênero e misoginia, o enfrentamento da violência contra a mulher começa na prevenção, não apenas na punição pós-crime. Ela destaca que plataformas digitais continuam alimentando discursos misóginos por meio de algoritmos que promovem conteúdos como 'coach de masculinidade' e vídeos que simulam esfaqueamentos em casos de recusa em relacionamentos.

Conscientização e desradicalização

A pesquisadora defende o 'letramento sobre consentimento', com foco em ensinar meninos e meninas o que é consentimento, para evitar que mulheres aceitem violência como norma. Exemplos de mensagens de tenente-coronel Geraldo Neto, que matou a esposa policial, mostram uso de termos como 'macho alfa' e 'fêmea beta', comuns em comunidades masculinistas. Para Bruna, sem políticas públicas de regulação, a violência contra mulheres continuará se reproduzindo.