Após a divulgação do novo tarifaço de 25% às exportações brasileiras por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo brasileiro iniciou a revisão de suas estratégias para responder a essa ação. O Palácio do Planalto já decidiu implementar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, com trâmites previstos para os próximos dias.
A Lei da Reciprocidade, sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2025, permite ao governo brasileiro retaliar países que impõem barreiras comerciais. A decisão foi motivada pelas tarifas que afetam diretamente setores brasileiros, levando representantes a se manifestarem sobre a necessidade de uma resposta adequada.
Estudo cauteloso sobre setores afetados
De acordo com um alto funcionário da diplomacia brasileira, a análise dos setores norte-americanos está sendo feita de maneira cuidadosa para evitar que a aplicação da lei resulte em um “tiro no pé”, prejudicando a economia nacional. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a nova tarifa, que entrará em vigor no dia 22 de julho, após um ano de investigações comerciais.
O governo brasileiro já identificou que a retaliação pode ser direcionada, entre outros, ao setor audiovisual e a patentes farmacêuticas, conforme informações divulgadas pela Reuters e corroboradas pelo g1. A aplicação da lei pode levar tempo, dependendo da reação dos setores afetados.
Apoio aos setores impactados
Na sexta-feira (17), o governo iniciou consultas com setores que sofrerão com o tarifaço e está avaliando como pode mitigar os impactos. Durante uma reunião, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, discutiu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Rosa, a formação de um grupo de trabalho para elaborar uma nova política industrial.
O objetivo é apresentar alternativas ao tarifaço norte-americano, que afetará 26,2% das exportações brasileiras aos EUA, totalizando cerca de US$ 11 bilhões. Alckmin anunciou também um programa destinado a auxiliar as empresas prejudicadas, que será parte do Plano “Brasil Soberano”, criado em resposta a tarifas anteriores.
Além disso, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está desenvolvendo um programa de diversificação de mercados, que contará com um investimento de R$ 130 milhões. Esse programa busca ampliar as oportunidades para os setores afetados pelas novas tarifas e para aqueles que se beneficiarão do acordo entre Mercosul e União Europeia.
O governo está em contato com países como Japão, Canadá e Emirados Árabes para realocar parte da produção que não será mais destinada aos EUA, visando minimizar os impactos negativos da nova tarifa.
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