Há quase 300 anos, um homem morreu num pequeno arraial de Goiás. Tinha atravessado sertões, comandado expedições, encontrado ouro, acumulado prestígio, enfrentado disputas políticas e participado da transformação de um território indígena em uma das regiões mineradoras mais importantes da América portuguesa. Seu nome era Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhanguera.
Seu fim ocorreu em 19 de setembro de 1740, no Arraial da Barra, hoje Buenolândia, distrito da cidade de Goiás. No entanto, ninguém sabe com certeza onde foi enterrado. Não há registros históricos, lápides ou restos mortais que indiquem sua localização.
Teoria de enterramento na igreja
Agora, uma pequena igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário, em Buenolândia, pode oferecer novas pistas. Considerada uma das mais antigas construções religiosas de Goiás, o templo será objeto de um projeto de restauração estimado em R$ 2,8 milhões, conduzido pela Secretaria de Estado da Cultura. A intervenção prevê acompanhamento arqueológico, embora ainda seja necessário confirmar a equipe responsável e o alcance exato das pesquisas.
Existe uma tradição antiga entre os moradores: Anhanguera teria sido enterrado dentro da igreja. Não é uma hipótese inteiramente absurda. Tampouco é uma verdade histórica. E é justamente nesse território, entre o documento e a lenda, que começa uma das histórias mais interessantes dos quase 300 anos da antiga capital.
Contexto histórico
Para entender o mistério, é preciso voltar ao início do século XVIII, quando não existiam Goiânia, Brasília ou sequer Vila Boa de Goiás. A região era habitada por diferentes povos indígenas. Os caminhos, rios e serras que os portugueses começariam a percorrer não constituíam um território vazio à espera de descobridores.
A palavra descoberta, aliás, sempre foi generosa com quem chegou depois. Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, pertencia a uma família de sertanistas paulistas. Seu pai, também Bartolomeu, ficou associado à famosa história da aguardente incendiada, usada para intimidar indígenas e alimentar a lenda de Anhanguera, o Diabo Velho. A narrativa atravessou séculos, entrou nos livros escolares e ajudou a transformar violência colonial em folclore.
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