O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada em São Paulo. A decisão ocorre em meio a investigações relacionadas à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga conexões da empresa com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades da Sefer sob supervisão do BC, sem a possibilidade de um processo convencional de recuperação. Segundo a autoridade monetária, a decisão foi motivada pela condição financeira deteriorada da empresa e por graves violações das normas que regem as instituições do setor.
O BC também informou que as investigações sobre a Sefer continuarão, visando identificar responsabilidades, o que poderá resultar em sanções administrativas e na comunicação de informações a órgãos competentes. Além disso, os bens dos controladores e ex-administradores da Sefer foram tornados indisponíveis a partir de hoje.
Embora a liquidação tenha sido decretada, o Banco Central ressaltou que a Sefer representa uma fração pequena do Sistema Financeiro Nacional. A empresa pertence ao segmento S4, voltado a instituições de menor porte, e detém menos de 0,0004% dos ativos do sistema financeiro e cerca de 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
Sobre a Sefer Investimentos
Fundada em 1994 e sob controle da holding Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., a Sefer Investimentos oferece serviços como administração de fundos, custódia de ativos e gestão de recursos. A empresa, que afirma ter mais de 30 anos de mercado, reporta a administração de aproximadamente US$ 22 bilhões em ativos, ou R$ 114,2 bilhões.
A companhia é associada à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) desde 2005 e declara seguir códigos de autorregulação do mercado. No entanto, já foi alvo de um procedimento de apuração de irregularidades encerrado em 2017.
Investigação e Operação Compliance Zero
A Sefer também foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano, que investiga uma suposta fraude bilionária ligada ao Banco Master, que também foi liquidado pelo BC. O caso está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos os investigados, incluindo a Sefer, negaram as acusações e afirmaram não ter cometido irregularidades.
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