Administradores escolares enfrentam um alto nível de agressão verbal e ameaças por parte de pais, superando os relatos de professores e profissionais de saúde mental nas escolas. Um estudo publicado na revista Psychology of Violence revelou que, após o levantamento das restrições da COVID-19, 77% dos diretores relataram ter passado por essas experiências, uma taxa quase 3,5 vezes maior do que a observada entre os professores.
A pesquisa foi liderada por Eric Anderman, professor de psicologia educacional e vice-reitor para campus regionais da Ohio State University. Ele e sua equipe realizaram a investigação em diferentes períodos: antes, durante e após as restrições da pandemia. Anderman afirmou que a equipe não esperava um padrão tão claro, já que muitos acreditavam que os professores seriam os principais alvos, devido ao contato direto que mantêm com os alunos.
Agressões persistem mesmo durante a pandemia
Os dados apontam que a agressão parental contra o pessoal escolar não diminuiu durante as restrições de COVID-19. Mesmo quando as aulas foram realizadas remotamente, 42% dos administradores ainda relataram ter sofrido agressões verbais ou ameaças. Após o retorno das aulas presenciais, as taxas de agressão aumentaram ainda mais.
Anderman compartilha uma experiência pessoal que o motivou a investigar o tema. Como professor do ensino médio, ele também enfrentou uma ameaça verbal de um aluno e sentiu que a administração da escola não o apoiou. Essa vivência o acompanhou ao longo da carreira e influenciou seu trabalho em pesquisas relacionadas à violência nas escolas.
Um problema silencioso e suas consequências
Embora as agressões verbais sejam comuns, Anderman as descreve como uma “epidemia silenciosa”, uma vez que não existe um sistema nacional para rastrear ou relatar esses incidentes. Além disso, muitos educadores hesitam em reportar as agressões por medo de serem vistos como fracos ou incapazes de gerenciar suas salas de aula. Essa falta de relato pode impactar a qualidade da educação e contribuir para a escassez de professores no país.
O estudo também traz boas notícias: manter relações positivas entre pais e profissionais da escola e oferecer suporte a educadores são medidas que ajudam a reduzir a agressão parental. Fatores como um suporte administrativo forte e políticas disciplinares eficazes estão associados a menos agressão em todas as fases analisadas. O estudo sugere a implementação de sistemas de apoio em várias camadas para todos os profissionais da educação, promovendo um ambiente mais saudável e seguro.
Os co-autores do estudo incluem pesquisadores de diversas instituições, como a DePaul University e a University of California, Berkeley. A pesquisa foi publicada por Eric M. Anderman e colaboradores na Psychology of Violence.
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