A cultura de um povo não nasce por decreto. É moldada lentamente pela história. Crenças, hábitos e valores são sedimentados ao longo das gerações. Apenas acontecimentos extraordinários conseguem alterar esse processo.
Exemplos históricos
A Alemanha, por exemplo, desenvolveu profunda aversão ao descontrole fiscal após a experiência traumática da hiperinflação. A Espanha viu o trauma da Guerra Civil modificar o espírito belicoso que marcou parte de sua história. Na Argentina, o governo de Javier Milei sustenta que décadas de populismo somente serão definitivamente superadas quando houver uma mudança na cultura política da sociedade.
Milei costuma apontar o Chile como exemplo. Após a experiência do governo de Salvador Allende, sucedida por profundas reformas econômicas e administrativas, o país recuperou dinamismo e crescimento. Ainda assim, anos depois voltou a eleger governos de esquerda. A conclusão extraída por ele é simples: reformar o Estado não basta; sem uma transformação cultural, as ideias tendem a retornar ao seu curso anterior.
As ideias de um povo são como as águas de um rio: podem ser desviadas, mas conservam a tendência de reencontrar o antigo leito. Mudanças institucionais podem alterar temporariamente a direção da corrente. Somente uma transformação profunda dos valores compartilhados é capaz de produzir uma mudança duradoura.
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