A 100 dias do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia sua campanha pela reeleição com a economia como um dos principais focos de debate. A taxa de desemprego, atualmente em 5,8%, é uma informação positiva para a campanha, mas a inflação alta e os juros elevados podem se tornar obstáculos.

Com 6,3 milhões de brasileiros sem trabalho, a taxa de desemprego atual é a mais baixa para um trimestre encerrado em abril desde o início da série histórica em 2012. Apesar disso, o aumento dos preços e o custo de vida são preocupações centrais para o eleitorado. Dados da pesquisa PoderData/Aya indicam que propostas econômicas são o terceiro critério mais relevante na escolha do voto, com 12% das menções, atrás de posição política e rejeição a outros candidatos.

Desafios econômicos

Nos primeiros anos de seu mandato, Lula criticou o Banco Central, buscando responsabilizá-lo pela elevação das taxas de juros. A situação se alterou com a nomeação de Gabriel Galípolo para a presidência da instituição, em janeiro de 2025, quando o tom do governo passou a ser mais moderado.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, após cortes consecutivos, mas o Banco Central ainda expressa preocupações com a política fiscal. O déficit primário do setor público, impulsionado por gastos governamentais, dificulta a redução dos juros. A previsão é que o terceiro mandato de Lula enfrente o maior déficit nominal médio da história do Brasil.

Programas sociais e tarifas externas

Em busca de apoio popular, Lula ampliou os gastos com programas sociais, totalizando R$ 184,7 bilhões até maio, e tem se concentrado em melhorar a percepção das famílias sobre suas finanças. Contudo, a eficácia dessas iniciativas na conversão de apoio eleitoral ainda é questionável.

Fatores externos também podem impactar a economia durante a campanha. A recente proposta dos Estados Unidos para impor tarifas sobre produtos brasileiros poderá afetar a atividade econômica e o comércio exterior, influenciando o comportamento do eleitorado na reta final da eleição.