O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, anunciou a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, em uma movimentação surpreendente. Esta é a quarta grande reformulação do governo desde o início da invasão em larga escala pela Rússia. O anúncio foi feito nas redes sociais, onde Fedorov expressou que foi uma "grande honra servir ao povo ucraniano".

Fedorov destacou, em sua postagem, algumas conquistas de sua equipe durante os seis meses em que esteve no cargo. Entre elas, a desativação dos sistemas Starlink utilizados pelas forças russas, a isolação da Crimeia ocupada e uma transformação “impopular, mas extremamente importante” das Forças Armadas.

A demissão de Fedorov provocou reações imediatas, levando alguns cidadãos a convocar um protesto pacífico em Kyiv para a manhã de quinta-feira. A mudança ocorre logo após a aceitação da renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko pelo parlamento, após um ano à frente do governo.

Nova nomeação e prioridades do governo

O CEO da Naftogaz, Serhiy Koretsky, foi indicado como o novo primeiro-ministro, conforme anunciado pelo presidente do parlamento ucraniano, Ruslan Stefanchuk. Zelenskyy já havia mencionado a necessidade de se preparar para o inverno e fortalecer os esforços para garantir um cessar-fogo como prioridades imediatas do novo governo.

Dmytro Koziatynskyi, veterano de guerra e um dos organizadores de protestos nacionais no verão passado, manifestou-se nas redes sociais, afirmando que “não é mais possível tolerar o que está acontecendo com nosso governo”. Ele convocou a população para se reunir na Praça Franko, às 9h01, e demonstrar ao presidente a insatisfação com as constantes mudanças no governo e a substituição de ministros eficazes por oportunistas.

Daria Kaleniuk, cofundadora e diretora executiva do Centro de Ação Anticorrupção, uma importante organização de controle em Kyiv, também planejou participar do protesto, conforme reportado pelo Kyiv Independent.

Impacto das mudanças no contexto da guerra

A Ucrânia intensificou seus ataques a infraestruturas energéticas e ativos militares russos, com foco em refinarias de petróleo em grandes cidades, como parte de uma estratégia para aumentar o custo econômico do conflito e enfraquecer as forças russas no sul do país. Especialistas em defesa e estrategistas consideram a campanha de drones da Ucrânia como crucial para estancar o avanço militar da Rússia, embora alertem que os sucessos em ataques profundos aumentam o risco de escalada no conflito.

O anúncio da mudança de estratégia política, feito por Zelenskyy no último domingo, pegou muitos de surpresa, especialmente em um momento em que a Ucrânia parece ter revertido o curso da guerra nos últimos meses. O presidente afirmou que cada área prioritária da política externa será atribuída a uma pessoa específica com experiência significativa, capaz de implementar o que se espera tanto a nível de liderança quanto por parte do povo ucraniano.