Nesta terça-feira, 15 de julho de 2026, o parlamento da Ucrânia aceitou a renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko, resultando na demissão de todo o governo do país. O presidente Volodymyr Zelenskyy havia revelado em suas redes sociais, no domingo anterior, que ofereceu a Svyrydenko uma nova posição, com a possibilidade de se tornar a próxima embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos.

"Agradeço a Yulia por seu trabalho claro, constante e eficaz como primeira-ministra, e por todos os seus anos de sucesso como parte da equipe da Ucrânia", escreveu Zelenskyy no Telegram. O presidente também compartilhou fotos de reuniões com diversos líderes, incluindo Sergii Koretskyi, chefe da Naftogaz, e outros ministros do governo.

Motivos para a reformulação

A reformulação do governo gerou especulações sobre os motivos que levaram Zelenskyy a agir, especialmente considerando que a administração estava em funcionamento há menos de um ano. Ihor Reiterovych, cientista político da Universidade Nacional Taras Shevchenko em Kiev, comentou que uma reestruturação estava prevista para o outono ou primavera, mas incidentes recentes aceleraram a necessidade de mudança.

Um dos principais fatores é a situação atual da embaixadora da Ucrânia nos EUA, Olga Stefanishyna, que está sendo investigada pelas autoridades anticorrupção do país. Reiterovych mencionou que é possível que os EUA tenham sinalizado que uma controvérsia envolvendo a embaixadora seria inaceitável, exigindo uma resposta de Zelenskyy. Ele acrescentou que Svyrydenko era uma boa candidata para o novo papel, devido à sua colaboração anterior com os americanos.

Desafios e poder executivo

Além disso, escândalos recentes envolvendo as forças armadas ucranianas têm potencial para afetar a imagem de Zelenskyy como comandante-em-chefe. Relatórios investigativos revelaram casos de tortura e tratamento cruel de recrutas, além de irregularidades no processo de conscrição. A troca de pessoal poderia ajudar a desviar a atenção dessas questões.

De acordo com Vadym Denysenko, do portal de notícias ucraniano DSNews, Svyrydenko fazia parte do círculo íntimo de Andriy Yermak, ex-chefe do escritório do presidente, que exigia obediência dentro do governo. Com a saída de Yermak, Svyrydenko tornou-se menos relevante, apesar de sua lealdade a Zelenskyy.

O cientista político Oleksiy Haran afirmou que a reestruturação está conectada à saída de Yermak, com o escritório do presidente buscando fortalecer seu controle sobre o executivo. Segundo ele, Zelenskyy deseja demonstrar que está no comando, mesmo que isso contrarie a Constituição, que reserva ao parlamento a formação do governo.

Por fim, a lealdade é vista como um fator crucial na escolha de um novo primeiro-ministro. Observadores acreditam que o parlamento provavelmente aprovará um candidato indicado por Zelenskyy, embora ainda tenha a chance de afirmar sua independência nas votações desta semana.